Editorial 18/07: segue o jogo

Da Redação
Acompanhar a política divinopolitana definitivamente não é para amadores. É preciso muita disposição para ver, a cada dia, um novo capítulo. O interessante nisso tudo é que alguns desses capítulos não são positivos para o povo. Na última semana, o vereador Flávio Marra (Patriota) protocolou na Câmara o Requerimento nº 1744/2023, solicitando que a Prefeitura explique o conteúdo de um vídeo publicado pelo prefeito Gleidson Azevedo (PSC), ao lado de seu chefe de gabinete, Thales Duque, em que o gestor municipal afirma pedir o apoio de empresários para obras na cidade, como melhorias em calçamento. Dentre os questionamentos feitos por Flávio estão: os motivos pelos quais o prefeito e o seu chefe de gabinete pedem e recebem doação em dinheiro de empresários; quais empresários doam dinheiro; por qual razão os empresários doam; se a doação é feita em espécie, depósito, Pix, cheque, cartão de débito ou de crédito; onde e como está sendo empregado o dinheiro recebido; e, por fim, qual o dispositivo legal utilizado para receber tais valores. Essa é apenas mais uma prova de que acompanhar a política local definitivamente não é para todos. A cada dia um novo capítulo e o constante desgaste entre Executivo e Legislativo.
Uma cidade inundada por atritos, desavenças e denúncias. Divinópolis convive, ainda, com a possibilidade cada vez mais iminente de ficar desassistida por causa do fim dos contratos temporários dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS). Isso sem falar na “CPI da Permuta Estética”, em que os vereadores precisam lidar com a concessão do “Alvará Facilitado”, alvo de inúmeros questionamentos, incluindo possível renúncia de receita, negada por membros da atual administração. Não tem como falar da política divinopolitana sem abordar a falta de responsabilidade e seriedade, ausente em inúmeros questionamentos importantes da política. Na terra da CPI, onde o dinheiro público é desperdiçado a “torto e a direito” bem na cara do povo, a política dá um verdadeiro show de amadorismo.
Por aqui, basta saber falar bonito e fazer dancinha no “TikTok” e pronto. Quando as câmeras são desligadas, poucos sabem o que fazer, a não ser esbravejar e falar o que o povo quer ouvir. E todos hão de concordar que, no marketing político, Divinópolis dá um baile. Aqui não é preciso fazer, apenas fingir que sabe fazer e segue o jogo. Apenas falar é suficiente. Como a população tem se contentado com isso, fica tudo certo. Se o “fulano” falou, então está falado, e a cidade segue com seus capítulos difíceis e minimamente controversos de sua história. Aquela, que um dia foi a 5ª melhor cidade para morar em Minas Gerais em seus tempos de glória, hoje é apenas a que vive com pouco, que se contenta com dancinhas, discursos rasos e vazios. E, assim, segue a política, com um novo capítulo a cada dia.
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