Editorial: As aparências enganam

Não é possível dizer o que se passa na cabeça e no coração do outro. É como diz o ditado: “coração dos outros é terra que ninguém pisa”. Sim, de fato, ninguém é capaz de definir o outro, medí-lo e afirmar se aquela pessoa seria ou não capaz de fazer algo que prejudicaria o coletivo. Os crimes sempre existiram. E, vez ou outra, a sociedade é pega de surpresa com um cometido por alguém que aparentemente “não precisava disso”. No Brasil, pode-se citar diversos crimes que chocaram o país e fizeram com que os “por quês” ecoassem pelo tempo. Tem-se o caso da menina Isabella Nardoni, de 6 anos, que poucos dias antes de completar mais um ciclo de vida foi espancada pela madrasta, Anna Carolina Jatobá, espancada pelo próprio pai, Alexandre Nardoni. É impossível falar de crimes que chocaram o Brasil sem citar o de Suzane Von Richthofen, a jovem que, aos 19 anos, mandou seu então namorado matar friamente seus pais. Crimes como esse não só repercutem pela eternidade trazendo seus “por quês” com eles, mas trazem importantes lições.
Sem sombra de dúvidas, a primeira delas é justamente: o coração do outro é terra que ninguém conhece. Afinal, até mesmo aqueles que aos olhos da sociedade eram “perfeitos” escondem segredos que nunca serão desvendados. A segunda é que, definitivamente, não se pode confiar no primeiro rosto bonito, nas primeiras palavras que dizem aquilo que se quer ouvir. O carisma e a sociabilidade podem esconder traços que ninguém é capaz de imaginar. Com as redes sociais, esses perigos foram potencializados, visto a facilidade de contato que a internet trouxe para a humanidade. É claro que não se deve generalizar, mas a verdade é que, por trás das vidas perfeitas, cheias de filtros, dos discursos prontos, robustos, das palavras bonitas, estão, muitas vezes, escondidas situações que não é possível sequer imaginar. Por mais que se fale repetidas vezes, todo cuidado é pouco. “O seguro morreu de velho”, e como morreu. Não é possível confiar cegamente em uma pessoa, afinal as aparências enganam - e as redes sociais também.
O filtrado colocado para mostrar a aparência perfeita, o sorriso, a roupa de grife e tantas outras poses podem mascaram inúmeros problemas. Apesar da sociedade viver conectada, é preciso entender que a vida sem filtro segue a mesma. Existem pessoas boas e más, e corações que guardam segredos inimagináveis em todas as classes sociais, sexo e raça. O mundo continua sendo o mundo e a humanidade a mesma desde os primórdios. Nada mudou. E as redes sociais só trouxeram um “quê” a mais de cuidado, pois é como dizem: “a internet é terra sem lei”.
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