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Leonino e Pórcia  (capítulo I)

Leonino e Pórcia  (capítulo I)

João Carlos Ramos

O sertão baiano foi banhado de sangue por dez anos no século XIX. O motivo? - Uma paixão fatal entre a bela jovem Pórcia, tia do  famoso poeta Castro Alves e um jovem Leolino, filho de um grande fazendeiro. Os pais de Pórcia, juntamente com uma comitiva, iniciou uma jornada mato adentro, rumo a fazenda  de parentes em um lugar muito distante. Após três dias de jornada a cavalo, eles resolveram

pousar em uma fazenda de velhos conhecidos. Descansando em uma rede estava Leolino,homem rústico,da família Canguçu,porém forte e encantador,na opinião das mulheres que tiveram a oportunidade de conhecê-lo. Dentre os visitantes,estava a belíssima jovem Pórcia,da conceituada família dos Castros. Ao se entreolharem, após as apresentações e cumprimentos de praxe, algo aconteceu com aqueles corações em chamas. Nascia, naquele momento, uma paixão súbita e fatal. Impossível qualquer disfarce,pois todos viram que o brilho dos olhos deles iluminavam a sala. Leolino era casado e altamente comprometido, segundo as leis imutáveis do sertão. Alta madrugada, antes do cantar do galo ,conversaram às escondidas e juraram amor eterno, após beijos ao luar. Não havia outra alternativa, senão seguir o convite do amor, que ardia em seus corações. Coragem não faltava para aqueles amantes, dispostos a pagarem o alto preço. Ainda escuro, os dois fugiram, a cavalo da fazenda, em busca de paz para aquela paixão irresistível, sabendo das consequências desastrosas que viriam a seguir.

Ao amanhecer todos  procuravam em  vão por Leolino e Pórcia. O desespero tomou conta de todos na fazenda. Nesse ínterim, pensavam unanimemente a mesma coisa: Infelizmente eles fugiram e foram viver as delícias daquele amor proibido. Os familiares da jovem, resolveram continuar a viagem, pensando em todas as maneiras de lavarem aquela honra, ainda que fosse com sangue. A fazenda, ora, palco de grandes festividades, agora tornou-se como um cemitério... A alegria se foi... No ninho de amor, no seio das matas virgens, reluzia aquela paixão sem limites, na cabana simples, feita de improviso. Os  capangas de Leolino ,foram convocados às pressas para vigiá-los, sabendo que a partir daquele momento "a guerra estava declarada, entre as duas famílias".

Vigiavam cada ruído, na expectativa de um ataque repentino. Dentro de pouco tempo iniciaram-se  as mortes dos dois lados. Os Castros e os Canguçus entraram  em guerra....

A noite caía e o véu da lua convidava os amantes para a resistência, através daquela paixão avassaladora que crescia, à medida que o medo queria se apossar deles. Pórcia  já estava grávida e chegou o momento mais crucial, pois o bebê, iria precisar de cuidados especiais, oriundos da cidade e não podia se arriscar em hipótese alguma. Os capangas da família Castro, conhecedores dos recônditos das matas, planejaram e executaram um plano macabro, após um descuido dos agora inimigos declarados. O pior aconteceu: O local da cabana foi descoberto e Pórcia levada à força de volta à fazenda de seus pais. Quanto ao recém-nascido, o mesmo foi "retalhado a facão", diante dos olhos desesperados e gritos lancinantes da mãe Pórcia. Ao voltar com as compras e presentes para o bebê, Leolino encontrou apenas o ninho vazio, todo ensanguentado. "Onde está a Pórcia” ? Onde está meu filho? Olhando para o ninho de amor, todo manchado de sangue e o corpinho retalhado ,jurou vingança eterna! "Não morrerei, enquanto não resgatar Pórcia e vingar a morte de meu filho”.

Fim do primeiro capítulo dessa  verdadeira história de amor entre  Leolino e Pórcia...

jocarramos@gmail.com 

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