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Domingos Sávio Calixto

Política e ignorância na caverna infinita 

Por Bruno
Política e ignorância na caverna infinita 

CREPÚSCULO DA LEI – ANO VII – CCCXLIII

         “Todo poder emana do povo”. A partir desta premissa, “povo” é considerado o ente político originário e, sob tal aspecto, um ente preparado para produzir poder.

         Nesse sentido, verifica-se um projeto crônico, sistemático, orgânico e estrutural para impedir que haja a devida preparação do ente para produzir poder, ou seja, um projeto eficaz de impedimento de formação do “povo”.

         Se o povo não se forma, não se prepara como sujeito do poder, ele será objeto, um objeto do poder. É nesta perspectiva que se mantém a projeção de desestruturação originária do povo, mediante seu afastamento das possibilidades de produzir poder em seu favor, ou seja, um processo de alienação sistêmica de produção da IGNORÂNCIA.

         No Brasil, a ignorância não é mera casualidade ou infortúnio, mas um projeto da classe dominante que se especializou, historicamente, em produzir seres ignorantes para serem politicamente explorados.

         Como metáfora, a caverna de Platão se ajusta ao caso. O mito trata de indivíduos dentro de uma caverna, onde vivem aprisionados e sem que tenham consciência do aprisionamento. Ali, recebem imagens projetadas aos fundos, graças ao artifício das sombras geradas no contraste com a fogueira, permanentemente acesa.

         Nesse cenário de sombras gerenciadas pelos administradores da caverna, os indivíduos vivem e morrem completamente alheios à realidade externa. Como tais indivíduos ignoram a realidade, são ignorantes perpétuos.

         Ora, é o caso do povo alienado em relação à sua função primordial de produzir poder para ser considerado como tal. Qualquer grupo incapacitado a produzir poder é, literalmente, um bando de ignorantes.

         Ocorre que a ignorância é anti-natural. Ela é produzida feito um artefato estético de desumanização e coisificação de indivíduos.

         A classe dominante brasileira é especialista em produzir ignorância, em coisificar indivíduos, agalinhar, cordeirizar gentes. Essa classe dominante vem agindo no Brasil com a invasão colonial e, desde então, criando tecnologias de exploração dos indivíduos durante séculos e séculos.

         Uma das técnicas mais utilizadas é o impedimento a uma educação libertadora e impondo metodologias de imbecilização e estupidez coletiva arraigadas em metodologias vazias, falsas e religiosamente mentirosas de sujeição do indivíduo a um senhor, como escravo rastejante.

         Sem espaço educacional adequado, os indivíduos crescem à mercê de um conhecimento raso, medíocre, desprovido de uma capacidade mínima de crítica, sem saber que continua preso em cavernas modernas.

         É impossível haver “povo” dentro da metodologia absurdamente eficaz de produção de ignorância no Brasil, o país mais desigual do mundo. É difícil não ser ignorante na grande caverna midiática do país, com e seus gerentes de fogueiras econômicas.

         Pela ignorância é que bandos de ignorantes elegem governantes violentos, corruptos, psicopatas, racistas, sexistas, xenofóbicos, fascistas, nazistas e sionistas como muitos que estão no poder, desde gerações.

         A classe dominante gasta fortunas para produzir ignorância (investimento). É por isso que impedem os investimentos na educação (gastos).

O grande triunfo da ignorância é fazer com que o escravo sempre proteja seu senhor. E que o escravo mantenha sempre seu senhor acumulando cada vez mais poder e riqueza, que não lhe pertencem. E tudo sem que o escravo perceba.

         A ignorância é, efetivamente, o método abortivo do povo. Para alguns, “viva a ignorância!”. Para outros, “socorro!”

Domingos Sávio Calixto é advogado criminalista, e professor de Direito Penal
domingosavio88@yahoo.com.br

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