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Editorial

Preencher vazios 

Preencher vazios 

“Por que temos sempre a sensação de que algo está faltando?” Sem dúvidas, se você não parou em algum momento da sua vida para fazer esta reflexão, depois de ler este texto você vai parar para pensar sobre. É fato que desde que o mundo é mundo, a humanidade sempre está em busca de algo, de uma felicidade utópica, de preencher um vazio interior, que parece nunca ter fim. Porém, é possível notar que nesta última década este “sintoma” na sociedade tem piorado, e se tornado até mesmo perigoso. É possível sim afirmar de olhos fechados que um dos causadores desse problema foi o “boom” das redes sociais, mas todos sabem também que essa justificativa é muito rasa, a questão é um pouco mais profunda que isso. A questão aqui talvez nem seja sobre essa busca individual – e normal – da “parte que falta”, mas a que ponto ela tem afetado o coletivo e trazido prejuízos incalculáveis. O maior exemplo disso é o quanto esse vazio, essa busca desenfreada das pessoas têm influenciado na elaboração de políticas públicas, e colocado cidades em risco, tornando tudo raso, tudo superficial, quando na verdade o que o povo precisa mesmo são de ações que mudem realidades, e não apenas que preencham egos. 

A busca por preencher esse vazio, por alimentar egos tem ultrapassado limites e barreiras preocupantes. Divinópolis mesmo tem os seus exemplos a serem citados, e em ano eleitoral não dá para passar despercebido, e muito menos ignorar. Não é preciso ir “muito longe” para ver o quanto a situação beira ao preocupante, e os Poderes Executivo e Legislativo estão aí para provar isso. Foi publicada ontem no Diário Oficial dos Municípios Mineiros a Lei Nº 9.410, DE 14 DE JUNHO DE 2024 “que institui o Dia da Bíblia no Município de Divinópolis”. A norma já chama a atenção por si só, mas o fato de a Lei Federal Nº 10.335, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2001, ter o mesmo teor do texto da lei municipal, torna tudo um pouco mais amador, e comprova que a política, principalmente, a local, virou na verdade um grande jogo de egos, de preencher vazios, que tem como última prioridade, às reais necessidades do povo. Não é possível definir o pior nesta situação. E, é justamente neste ponto, em que a pergunta mais plausível seria: por que? Que outro questionamento se faz pertinente: é para isso que a população paga seus representantes?

A Câmara de Divinópolis está apenas existindo? Os parlamentares estão ali naquele plenário apenas brincando de governar, quando uma população precisa de ações efetivas para colocar as cidades nos trilhos de novo? Afinal, qual o propósito dos vereadores que estão ali representando mais de 230 mil pessoas? Isso sem contar o Executivo — isso, todas as gestões, que se prestam a sancionar não só essa, mas outras leis que na prática não mudam e não melhoram em absolutamente nada a vida do divinopolitano. Em ano eleitoral se faz mais do urgente, se faz primordial que os eleitores avaliem tudo com muita calma. Afinal, de nada adianta acreditar no melhor papo, no discurso mais bonito, no que apresentou mais leis, quando a realidade nua, crua e sem maquiagem bater à porta. E, se tem algo que é possível afirmar de olhos fechados é que vazio não preenche vazio.

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