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Editorial

Chega a dar nó

Chega a dar nó

O Fundo Eleitoral contemplará, neste ano, R$ 4,9 bilhões aos partidos políticos. Isso mesmo: R$ 4,9 bilhões de  recursos públicos incluídos no Orçamento da União, que correspondem a 85% da verba das campanhas. O assunto, claro, é sempre controverso. Afinal de contas, é como se o povo pagasse para ser enganado e ser feito de bobo. Apesar da distribuição dos recursos do fundo ser feita pela direção nacional dos partidos, com regras supervisionadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a verdade estampada na cara do povo é que os próprios brasileiros trabalham de sol a sol para bancar esse sistema, que é, além de tudo, um mal necessário. O tão criticado Fundo Eleitoral, “demonizado” por muitos, por incrível que pareça, ainda é o caminho mais transparente para bancar as despesas das eleições a cada dois anos. 

Por mais controverso que seja, especialistas apontam que o recurso público é uma forma de colocar na disputa partidos e candidatos que tenham menor poder de obter recursos privados. Isso faz com que a democracia seja ampliada, além de possibilitar uma possível fiscalização intensa para tentar evitar desvios, o que, na teoria, também contribui para a realização de eleições transparentes. Mesmo com o jeitinho brasileiro, que todos sabem como funciona, feito a “torto e direito” por aqui, o fundo permanece como a alternativa mais viável para campanhas mais justas, democráticas e com menos corrupção. Irônica a situação. Afinal de contas, o mesmo povo que é roubado todos os dias, de diversas formas, em várias esferas, ainda sustenta este sistema, que se torna “um mal necessário” para que se possa escolher democraticamente os seus representantes. O pior de tudo é analisar o que poderia ser feito em obras e investimentos com os R$ 4,9 bilhões, que serão utilizados para impulsionamento em redes sociais, gráfica, marketing e vídeos.

Chega a dar um nó na cabeça de qualquer um que avalie a situação friamente. Enquanto pessoas morrem todos os dias à espera de serviços públicos de qualidade, uma quantia considerável de recurso público escorre pelo ralo para manter no poder quem deveria trabalhar dia a dia para que esses problemas não existissem. E, para quem se pergunta se não há outros meios de financiamento de campanhas, a resposta é sim. Além dos fundos Eleitoral e Partidário, a Justiça brasileira permite o financiamento por doações de pessoas físicas ou recursos próprios dos candidatos. Mas, aqui é Brasil, o país onde o povo paga para ser enganado e se contenta com pouco, com o raso. Onde, muitas vezes, o mal se torna necessário para que situações piores não aconteçam. Aqui é Brasil, o país onde a cabeça dá nó, mas tudo bem… O jogo tem que seguir!

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