Projeto é retirado de pauta e deixa deixa público indigado na Câmara

Da Redação
Estava prevista a votação na tarde desta terça-feira, 28, na Câmara de Divinópolis, do Projeto de Lei 026/2025 que autoriza o município a fornecer gratuitamente sensores de Monitoramento Contínuo de Glicose (MCG) para pacientes diagnosticados com Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1). A medida, entretanto, foi retirada de pauta após um problema técnico, o que gerou confusão entre parlamentares e cidadãos que acompanhavam a reunião do auditório.
A iniciativa, de autoria dos vereadores Josafá Anderson (Cidadania) e Dr. Delano (PL), é considerada um marco importante na luta pela inclusão de tecnologias modernas no tratamento do diabetes. O objetivo principal é substituir o método tradicional de aferição da glicose, que exige múltiplas picadas nos dedos todos os dias, por um sistema mais confortável, preciso e menos invasivo.
Problema técnico
O projeto de lei entraria em votação ao fim da reunião desta terça-feira, porém, após o pronunciamento de todos os parlamentares, o presidente da Casa, Israel da Farmácia (PP), anunciou que, devido a um problema técnico, a medida seria retirada de pauta.
A notícia foi recebida com insatisfação, tanto de alguns vereadores, quanto de populares que acompanhavam a reunião. Fabiana Cristina, mãe de Thiago, jovem diagnosticado com diabetes tipo 1, inclusive usou a Tribuna Livre para falar da importância que o aparelho tem na vida do filho.
— O sensor de monitoramento contínuo não é um luxo, mas sim um instrumento de prevenção que salva vidas. Por exemplo, um dia enquanto estava no trabalho, recebi pelo celular um alerta de hipoglicemia grave e consegui acionar ajuda a tempo, impedindo uma tragédia. Sem o aparelho, Thiago, que estava sozinho em casa, poderia ter desmaiado e até perdido a vida — complementou.
O Agora questionou a assessoria de comunicação da Câmara para explicar qual o problema técnico se tratava. A resposta foi que o Substitutivo III ao PL CM nº 26 de 2025 foi retirado da Ordem do Dia, visto que será necessário um ajuste técnico entre a Secretaria Municipal de Saúde e o vereador autor do projeto. Após esse ajuste, conforme a comunicação, o projeto irá novamente para as Comissões para as devidas discussões e novamente irá a Plenário.
Qualidade de vida
O MCG, aparelho central do projeto de lei, é um pequeno dispositivo que, geralmente aplicado na parte superior do braço, mede automaticamente o nível de glicose no líquido intersticial, sob a pele. A tecnologia permite que o paciente acompanhe suas taxas em tempo real, utilizando um leitor específico ou um aplicativo de celular conectado ao sensor.
Além de evitar o desconforto e a dor das picadas diárias, o MCG fornece gráficos e relatórios detalhados sobre as variações glicêmicas ao longo do dia e da noite, ajudando o paciente e os profissionais de saúde a ajustarem o tratamento com muito mais precisão. Para os autores do projeto, o impacto vai muito além da comodidade.
— Estamos falando de um avanço que salva vidas e melhora o controle da doença. Com o sensor, o paciente pode agir preventivamente antes que ocorra uma hipoglicemia ou hiperglicemia grave — destacou o vereador Dr. Delano, médico e coautor da proposta.
A força das ‘Mães Pâncreas’
A luta pela aprovação de leis como essa em várias cidades de Minas Gerais é impulsionada por um movimento que ganhou o coração da sociedade: o das “Mães Pâncreas”.
O termo se refere a mães de crianças com Diabetes Tipo 1 que, na prática, assumem o papel do órgão que falta no corpo de seus filhos. Elas monitoram a glicose 24 horas por dia, calculam doses de insulina, controlam a alimentação e velam o sono das crianças para evitar crises de hipo ou hiperglicemia.
— Essas mulheres são verdadeiras heroínas. Elas dedicam a vida ao cuidado dos filhos e agora também se mobilizam para transformar a realidade de outras famílias. Em Divinópolis, queremos incentivar a formação de um grupo local do movimento ‘Mães Pâncreas’ — comentou Josafá Anderson.
Impacto social e econômico
Além dos benefícios diretos à saúde dos pacientes, a adoção dos sensores pode trazer impactos positivos aos cofres públicos. Estudos indicam que o monitoramento contínuo reduz significativamente o número de internações por descompensações glicêmicas, hipoglicemias severas e complicações relacionadas, como neuropatias e retinopatias.
— É um investimento que se paga. Quanto mais controle o paciente tem da glicemia, menores são as chances de complicações e hospitalizações. Isso representa economia e eficiência no sistema público de saúde — destacou Dr. Delano.
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