Carregando clima…
Marina Diva de Oliveira

‘Setembro Amarelo’ o ano inteiro: a urgência de cuidar da saúde mental todos os dias

Por Bruno
‘Setembro Amarelo’ o ano inteiro: a urgência de cuidar da saúde mental todos os dias

Marina Diva

O 10 de setembro é reconhecido mundialmente como o “Dia de Prevenção ao Suicídio’. Essa data não é apenas um marco no calendário, mas um convite para cada um de nós: o convite de olhar para dentro, de reconhecer dores invisíveis e de quebrar o silêncio que, tantas vezes, se transforma em peso insuportável.

A campanha ‘Setembro Amarelo’ surgiu justamente para lembrar que saúde mental não é um detalhe, é necessidade. E que falar sobre suicídio não incentiva, pelo contrário: falar salva. O silêncio, sim, pode ser fatal.

O próprio Ministério da Saúde, em seu manual de prevenção ao suicídio, reforça que conversar abertamente, sem julgamentos, acolhendo a dor e incentivando a busca por ajuda profissional é uma das formas mais eficazes de proteção. Ele ainda destaca que pessoas em sofrimento tendem a dar sinais, como: mudanças de comportamento, falas sobre desesperança, isolamento social e que reconhecer esses sinais pode ser decisivo.

O manual lembra também que não é preciso ter respostas prontas ou soluções imediatas. Muitas vezes, a atitude mais importante é simplesmente escutar com atenção e oferecer apoio, encaminhando, sempre que possível, para serviços de saúde. Essa postura simples, mas profundamente humana, pode abrir espaço para que a pessoa encontre caminhos de cuidado e prevenção.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo. Isso significa uma morte a cada 40 segundos. No Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde, cerca de 14 mil pessoas tiram a própria vida anualmente. São números que assustam, mas que também nos convocam à ação.

Por trás das estatísticas estão histórias, famílias, amigos e comunidades impactadas. Cada vida interrompida deixa marcas profundas. E, muitas vezes, sinais foram dados antes, mas não foram compreendidos ou acolhidos. É aqui que entra nossa responsabilidade coletiva: escutar, oferecer apoio e encorajar a busca por ajuda profissional.

Falar de suicídio é falar também de sofrimento psíquico, que pode estar associado a depressão, ansiedade, transtornos de humor, uso abusivo de substâncias e, principalmente, à falta de redes de apoio. Mas não podemos reduzir o problema apenas a diagnósticos: fatores sociais como desemprego, violência, exclusão e preconceito também pesam e precisam ser enfrentados.

E o que podemos fazer? Às vezes, pensamos que é preciso ter as palavras certas ou soluções imediatas, mas o primeiro passo é mais simples: estar presente. Uma escuta verdadeira, sem julgamentos, pode abrir espaço para que alguém compartilhe sua dor. Acolher é mais poderoso do que aconselhar.

Como sociedade, precisamos avançar em políticas públicas, garantir acesso a serviços de saúde mental e fortalecer ações de promoção da vida nas escolas, nos ambientes de trabalho, nas comunidades. Empresas que investem em bem-estar, líderes que cuidam das pessoas, escolas que falam sobre emoções: tudo isso conta.

O Centro de Valorização da Vida (CVV)  é um exemplo concreto de rede de apoio. Através do número 188, disponível 24 horas por dia, é possível encontrar alguém disposto a ouvir. É um recurso gratuito, sigiloso e que salva vidas diariamente.

“Setembro Amarelo” não deve ser apenas uma campanha passageira, mas um lembrete permanente de que cada vida importa. Cuidar da saúde mental precisa atravessar os meses, estar presente em cada conversa, em cada espaço de convivência. Falar sobre sentimentos, perguntar de verdade como o outro está e abrir espaço para a vulnerabilidade são atitudes que não podem ficar restritas a setembro. A prevenção acontece todos os dias, porque a vida pede atenção o ano inteiro.

Deixo aqui um convite íntimo, quase como um diário compartilhado: nesta semana, olhe para alguém querido e se permita perguntar, com calma e afeto: como você está de verdade? E, se puder, volte esse olhar para si mesmo: reserve alguns minutos para escrever sobre como se sente, sem pressa, sem julgamentos. Esse exercício de journaling, aliado à rede de apoio e aos profissionais de saúde, ajuda a organizar pensamentos, aliviar emoções e fortalecer vínculos que salvam vidas.

Prevenção ao suicídio é sobre cuidar, acolher, estar junto. Olhar para si, reconhecer suas próprias dores e limites, e contar com a rede de apoio e profissionais é um ato de coragem e cuidado. Porque quando falamos, escutamos e nos aproximamos, criamos pontes. E, pontes, como sabemos, podem salvar vidas.

Respira, é humano: aceitar ajuda, se abrir e se importar faz parte da vida. Cada gesto de atenção, cada pergunta sincera, cada momento de presença importa.

Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…