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Preto no Branco

‘Tarifaço’

Por Bruno
‘Tarifaço’

Na guerra de narrativas, não faltam pautas. A mais recente é a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em taxar os produtos brasileiros em 50%. Bom para os dois lados — esquerda e direita. De um lado, o presidente Lula (PT) reforça seu discurso de soberania, com ataques a Bolsonaro (PL) e demais opositores. Do outro, aliados do ex-presidente culpam o petista pela decisão americana. Os dois ganham, os dois perdem, cada qual com sua narrativa. O mais inaceitável é ver políticos celebrando a tarifa e manifestando apoio a Trump, indo contra o próprio país apenas por uma disputa ideológica Uma total falta de noção, que simboliza perfeitamente o que tem se tornado a política brasileira: uma polarização sem fim, onde seu lado está sempre certo e o outro é errado. 

Recuo

E após culpar Lula e Janja, o governador Romeu Zema (Novo) amenizou o tom. “A taxação imposta pelo presidente Donald Trump a produtos brasileiros é uma medida errada e injusta. Ela precisa sim ser revista porque penaliza todos os Brasileiros. Gente que votou contra e a favor do Lula, empresas que investem no Brasil, e que nada têm a ver com disputas ideológicas e políticas”. Esquece que, ele próprio, tem intensificado a disputa ideológica visando o próximo ano, mas, aparentemente, lembrou-se que ainda é governador do Estado e é preciso mais cautela e diplomacia nas declarações. 

Descompasso 

Minas Gerais está um ano à frente. É nítido que o vice-governador Mateus Simões (Novo) tem se tornado o garoto propaganda da gestão, com Zema  cada vez mais focado em estabelecer sua imagem como pré-candidato à presidência. Seguindo seu planejamento político, Simões também tenta aumentar sua visibilidade e popularidade entre os mineiros. Sua tarefa mais difícil é unir a direita, em especial convencer Cleitinho (Republicanos) e Nikolas Ferreira (PL) a deixarem o páreo. São, indiscutivelmente, os dois nomes mais fortes em Minas. Enquanto isso, outras movimentações podem esquentar a disputa: a possível candidatura de Rodrigo Pacheco (PSD) e de Alexandre Kalil (sem partido). Outro nome sempre ventilado é a possível volta de Aécio Neves (PSDB). Neste cenário, a polarização pode favorecer os candidatos mais neutros, especialmente num segundo turno. A última eleição mostrou que, em muitos cenários, o menos “extremista” venceu. Nesses casos, esticar a corda para ganhar visibilidade pode ser uma estratégia precipitada a longo prazo. 

Verdade..

..nua e crua. “Não dão exemplo nenhum, pelo contrário. E aí querem colocar “nós contra eles”, querem dividir vocês. E vocês não estão entendendo, população brasileira, que o problema está aqui [Brasília].” A fala é do senador Cleitinho, em seu pronunciamento no Congresso na quarta-feira. É a realidade, denunciada pelos editoriais do Agora. Os políticos são os primeiros a gritar e cobrarem equilíbrio fiscal e corte de gastos, mas são os últimos a fazê-lo — isso quando fazem. Estão interessados apenas em manter e aumentar seus privilégios, que já são muitos. Vivem de regalia em regalia, ignoraram a dura realidade em que milhares de brasileiros lutam para sobreviver com o pão de cada dia. Brasília é uma bolha, onde não ouvem, não veem, não fazem. Eleitos para representar um povo que escolhem negligenciar. 

Começam

As escolas estaduais divinopolitanas começam a decidir pela adesão ou não ao modelo cívico-militar. Pelo clima, é bem provável que boa parte vote favorável à mudança. E, com tantas notícias de violência nas escolas, o posicionamento é reforçado. No entanto, para além de compreender os detalhes e impactos do programa, também é preciso reconhecer os argumentos contrários. Uma boa educação também passa pela valorização dos professores, que há anos lutam por uma recomposição salarial mais digna junto a outras categorias. Não adianta achar que a presença de um policial resolverá todos os problemas como num truque de mágica. Problemas complexos exigem soluções à altura. E, infelizmente, muitas vezes a própria Polícia é vítima de sucateamento, com condições salariais e materiais abaixo do necessário para enfrentar a criminalidade. O que se faltou, é preciso reconhecer, foi mais clareza na explicação à comunidade quanto ao modelo, o funcionamento e seu impacto, inclusive com um prazo mais amplo para decisão, ampliando e fortalecendo a qualidade do debate.

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