Uma farsa chamada ONU

CREPÚSCULO DA LEI – ANO VIII – CCCXLIII
Quando se depara, insistentemente, com notícias de Israel e EUA praticando atos de terrorismo e genocídio mundo afora, de forma sistêmica desde 1948, percebe-se que não poderiam fazê-lo sem a proteção da ONU. Ao que parece, suspeitosamente, que foi com essa pretensão que ela foi criada naquele ano, já que seus signatários mais “defensores” de direitos humanos ainda mantinham colônias no continente africano.
Sob esse aspecto, a ONU, desde então, vem agindo como uma farsa, como legitimante de atrocidades contra a humanidade, e sua responsabilidade por omissão proposital não pode mais ser contornada por uma simples referência à soberania estatal das nações agressoras, ou à legalidade formal de suas ridículas resoluções.
A ONU produziu e produz uma omissão criminosa grave, e ela precisa ser deslocada para o plano da arquitetura global - que torna essas práticas de genocídio, terrorismo, holocausto e Crimes contra a Humanidade inaceitáveis – onde ela deixa de ser um ator periférico ou neutro, e passa a ocupar uma posição estrutural na causa dos crimes contra a Humanidade.
Formalmente, a ONU — incluso seu pseudo “Conselho de Segurança”- assiste de suas “Assembleias” toda a sorte de massacres frequentemente perpetradas pelos EUA e Israel, com apoio da OTAN, claro. Essa coalizão – sob os olhares plácidos da ONU - opera na necropolítica do mundo, deixando um rastro de destruição, morte e flagelo por onde passa.
A omissão produzida pela farsa do centro do direito internacional não se vislumbra apenas no plano das violências bélicas diretas, como guerras e invasões. Elas se estendem em violências aparentemente soft, mas tão - ou mais – avassaladoras, sejam em práticas como guerras híbridas, golpes de estado, sanções e bloqueios.
O caso dos bloqueios contra países é uma das condutas mais cruéis que essa farsa – ONU – insiste em não intervir, sequer reconhecer sua gravidade. A omissão, nesse contexto, não é um mero vazio, mas uma forma específica de atuação dolosa.
Veja-se. Um estudo da entidade THE LANCET GLOBAL HEALTH, usando dados de pesquisa (apenas) de 1971 a 2021, revelou que os EUA e a EUROPA, com suas políticas de bloqueios e assassinato econômico de países, foram responsáveis pela morte de 38 milhões de pessoas. Pasme-se! 38 milhões de vítimas mortas. Quase inacreditável. (O caso de Cuba é emblemático: desde 1962. O Irã desde 1972. Venezuela desde 2012, inclusive com recente sequestro do seu Presidente e respectiva esposa.)
O estudo foi publicado em 2025, tendo os pesquisadores responsáveis analisando números oriundos de 152 países, entre 1971 e 2021, gerando uma associação estatística com estimativa média de 560 mil mortes por ano, com especial impacto em crianças e idosos.
A pesquisa demonstrou que nos anos 1990 as mortes alcançaram mortes de 1 milhão por ano, provenientes da escassez de alimentos, queda de renda, colapso nos sistemas de saúde e falta de medicamentos. Além disso, mais de 50% das mortes são de crianças menores de 5 anos, sendo exato que as elites políticas dos países afetados pouco sofrem.
Disso tudo resulta que as sanções e bloqueios unilaterais, aplicadas por EUA/Europa, se constituem em um dispositivo de necropolítica global, matança capaz de produzir mais cadáveres do que uma guerra declarada. É o uso “covarde” do direito como instrumento de coerção e colonialidade do poder.
(Há que se ressaltar que não se incluíram nos estudos dados de 2021 a 2025, onde seriam apresentados impactos dos novos crimes de Israel contra Gaza e todo o Oriente Médio.)
Sem embargo, um dado constante e inquestionável: o grande país violador é sempre o mesmo, os EUA, e sempre agindo com total conivência da ONU. Sim, a ONU é, materialmente comprovável, uma farsa. A FIFA que o diga.
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