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Domingos Sávio Calixto

Matança na periferia: um silogismo

Por Bruno
Matança na periferia: um silogismo

CREPÚSCULO DA LEI – ANO VIII – CCCXLIV

  1. PREMISSA MAIOR

Pesquisas junto ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública – FBSP – e a Rede de Observatórios de Segurança indicam que, na composição racial do efetivo das forças policiais em São Paulo, há uma sub-representação de pessoas em comparação com a população daquele estado.

Segundo dados – conferir Lei de Acesso à Informação – o percentual de negros na PM de São Paulo gira entre 35% e 40% do efetivo, ou seja, praticamente a mesma percentagem de pessoas que se declaram negras nas estatísticas populacionais de São Paulo.

Guardados esses números, estudos acadêmicos sobre a “filtragem policial” – vide Fundação Getúlio Vargas, FGV- demonstram também que a “cor” da pele é fator determinante para a “suspeita policial”, implicando dados onde 64% das vítimas negras mortas em ações de abordagens, operações e conflitos.

Dados também demonstram que a maioria das intervenções letais ocorre em áreas periféricas, para onde os policiais negros se concentram nestas ações em números proporcionais bem maiores, por conta do distanciamento que lhes são conferidos em relação aos cargos de comando.

  1. PREMISSA MENOR

Na madrugada do dia 3 de abril, no bairro Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo, a vítima Thawanna de tal, 31 anos, ajudante-geral, mãe de cinco filhos, negra, foi assassinada, mediante disparo de arma de fogo, pela policial militar (soldada PM) Yasmin de tal, 21 anos, negra.

Tal episódio teria baixíssima possibilidade de acontecer em bairros da classe alta. Este fato ocorreu - como de praxe - em zona periférica, e foi filmado pela câmera corporal do SD PM Weden de tal, tendo sido (Pasme-se!) iniciado por um simples esbarrão no retrovisor da viatura policial. Por causa deste incidente banal a viatura retornou, houve discussão, a PM Yasmin desembarcou da viatura, discutiu com a vítima Thawana e a matou. 

Conforme noticiado, a vítima ainda ficou caída ao chão, agonizando, por quase 40 minutos, sem ser socorrida, enquanto seu companheiro era impedido de auxiliá-la.

  1. CONCLUSÃO (OU PROBLEMÁTICA): 

Mais um caso de um policial negro matando vítima negra, fato que se estende a outros cenários envolvendo até mesmo segurança privada em eventos ou áreas sociais públicas como shoppings, por exemplo, quando negros da vigilância espancam outros negros em inúmeros casos facilmente constatáveis junto a vídeos das redes sócias.

Ora, trata-se de um fenômeno a ser estudado e debatido profundamente, posto que a periferia, obviamente, está sendo o espaço de um experimento social que busca tirar dela – classes baixas - o acirramento da violência entre os próprios vulneráveis, principalmente negros contra negros.

É esse tipo de intra-violência que produz a divisão necessária para facilitar o discurso do poder punitivo e seu constante aumento contra os próprios envolvidos, ou seja, tanto aqueles vulneráveis que matam, quanto os vulneráveis que morrem, podem estar sendo utilizados como títeres ou marionetes de um teatro necropolítico ideal para a diversão e lucro da classe dominante.

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