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Domingos Sávio Calixto

BOLSONARISMO E O CÓDIGO 12 DA DITADURA DE 1964

Por Bruno
BOLSONARISMO E O CÓDIGO 12 DA DITADURA DE 1964

CREPÚSCULO DA LEI – ANO VI – CCCIX

Dado que a mídia traz graves relatos de novos atentados democráticos contra o Supremo Tribunal Federal (STF), bem como de um plano bolsonarista para o extermínio do atual presidente da República, do vice-presidente e de um dos mais atuantes ministros da suprema corte, oportuno um retorno histórico ao homicídio praticado contra Juscelino Kubitschek, em 1976.

JK teria sido morto por uma operação militar, em conjunto com o departamento de estado dos EUA, conhecida por “Código 12”, a qual consistia em eliminar “inimigos políticos” de tal forma que o resultado morte parecesse um acidente.

A operação mencionada também teria conduzido à morte outras vítimas, como Carlos Lacerda, João Goulart, Manoel Fiel Filho, Vladimir Herzog, Alexandre Vannuchi Leme, José Ferreira de Almeida e Zuzu Angel, dentre outros.

O caso de JK foi emblemático.

No dia 22 de agosto de 1976, um domingo, Juscelino fazia o percurso São Paulo - Rio de Janeiro, via Dutra, quando, nas proximidades de Resende-RJ, sem explicações, de forma absolutamente estranha, fez uma parada em um hotel fazenda de propriedade de um brigadeiro de nome Newton Villa Forte – amigo do general Golbery do Couto e Silva, criador do SNI, antigo Serviço Nacional de Informações, cópia fuleira da CIA americana.

O hotel não tinha hóspedes no dia (?) e a tal parada durou mais de uma hora.

Pouco depois desta “parada”, o veículo de JK, opala preto, conduzido pelo (seu) motorista Geraldo Ribeiro, retomou a rodovia, mas mostrou-se desgovernado, sem controle, e foi colidir frontalmente com um caminhão Scania, que vinha no sentido oposto, em linha reta. 

Neste “acidente”, JK e seu motorista morreram, ou seja, minutos depois de terem deixado o hotel fazenda.

Ora, as técnicas do código 12 – incorporadas à famosa Operação “Condor” no cone Sul - envolviam a destruição de indícios e vestígios fundamentais, plantando-se outros que pudessem dar conotações de acidentalidade ao  evento.

Diversos outros “inimigos” teriam sido igualmente eliminados em outros “acidentes”, que também envolviam, inclusive, práticas de envenenamento.

Juscelino era, disparado, a maior liderança política do Brasil na época. Tinha planos para o Brasil rural, envolvendo – desde 1965 -  o slogan “5 anos de agricultura para 50 anos de fartura”, passando pela reforma agrária e criação de vilas rurais, buscando um desenvolvimento rural nos mesmo moldes do desenvolvimento urbano.

Um ano antes de ser morto, 1975, esperava-se uma abertura política e novas eleições, as quais não aconteceram por determinações americanas. JK pretendia se candidatar e, certamente, venceria folgadamente. Tinha que ser eliminado?

[Antes de se concluir o presente texto: 1. Em 1968, o famoso plano Burnier da ditadura pretendia a explosão do gasômetro do Rio de Janeiro, com milhares de mortos, inclusive JK. O plano só não foi concretizado pela interferência heroica do capitão Sérgio Miranda de Carvalho, o famoso capitão Sérgio “macaco”: 2. Em 1981 militares da ditadura planejaram, e executaram, o atentado à bombas no Rio de Janeiro, episódio conhecido como “atentado do Rio-Centro”: 3. Tais episódios explosivos certamente inspiraram o plano de Jair Messias B. para tentar explodir a estação d’água de Guandu – já feito  o devido “croquis”- em 1987, o que o levou a ser expulso do Exército e a tentar a sorte na política.  4. A anistia de 1979 incluiu, e salvou, todos os militares criminosos da ditadura de serem devidamente punidos]

Agora sim, se pode concluir. Ditaduras matam pessoas e esperanças, quando não são devidamente punidas. 

Caso os líderes e autores violentos - oriundos do bolsonarismo - de todos os atentados recentes, não sejam devidamente punidos, continuarão tentando matar pessoas e, principalmente, esperanças. A democracia precisa impedi-los.

(Dedico este texto ao deputado Rubens Paiva, retratado no filme “Ainda Estou Aqui”)

 Volto em janeiro de 2025.

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