22 POETAS SELECIONADOS PARA A ANTOLOGIA DO ARTEFERIA (parte I)

Cláudio Guadalupe
Produzir uma antologia é uma tarefa árdua para editoras já consolidadas no mercado do livro. Organizar uma antologia de autores independentes é muito mais difícil. O Coletivo ARTEFERIA, criado no ano de 2019, em Divinópolis, a partir de ações articuladas de jovens poetas, nos seus sete anos de existência, já produziu 16 edições de jornais, chamados de fanzines e duas Antologias.
Poetas como Cláudio Guadalupe, Weverton Duarte de Araújo, Clara Valverde e Marcelo Martins, enfrentaram esta missão, de unir os poetas do coletivo, nas duas edições. Em 2024, a primeira antologia, foi a Poesia Coletivo Arteferiana e recentemente, a Arteferia II – Antologia Poética (2026). Hoje, aqui nesta coluna, vamos trazer alguns textos desta última antologia.

Comecemos pelas vozes femininas, que vem nos últimos anos, reafirmando o seu espaço na literatura brasileira. No Coletivo ARTEFERIA, há vozes femininas fortes: Clara Valverde, Jéssica Sabrina, a Rita Matiusso, a Stella Durval, a Yasmin Danielly (Cutia) e outras. Da poeta feminista, Clara Valverde, apresentamos o poema SILÊNCIO.
Primeiro você grita
depois você escuta
seu grito
e espera o eco
reverberar dentro
do peito no fundo
do poço
se espalhar
no céu
há de haver
resposta
de volta

A autora jovem e negra Jéssica Sabrina tem uma poética descolonizadora da palavra e a na firmeza do amor revolucionário. Senão vejamos o poema a seguir.PRINCESINHA POETINHA DO OESTE
me sinto urbana
parte da (velo) cidade
sem hora do tempo
nasci do sagrado
no divino
momento
ouvi das mulheres
poesia
alento
me sinto humana
concreto
fragmento

Já a poeta jovem Stella Durval tem uma poesia doce, amorosa, terapêutica e libertadora. Vejamos o poema abaixo
PERNAS A MOSTRA E MENTE ABERTA
Põe seu vestido curto, mostra as pernas.
Vista seu jaleco.
Mostra o cérebro.
Quem vê o cumprimento da tua roupa.
E te julga da forma que bem quer.
Teu vestido não conta histórias.
Um jaleco é capaz de contar.
Os julgamentos vêm daqueles
que não querem escutar.
Vestidos longos, coberta a carne
Mentes fechadas, vazio o cerne.

A autora Rita Matiusso, dramaturga, atriz, diretora de teatro e cinema, apresentou na Antologia, versos que dialogam com a memória, a subjetividade, o feminino e a saúde mental. Leiamos um poemeto seu.
MEU QUASE POEMA
Com sua licença
Meu quase poema
Tem cor, cheiro e forma
Tem afeto, carinho e dengo
Tem toque
Tem posse
Tem volúpia
Tem nome e sobrenome
Eu, Rita.

Mas a mais jovem poeta do ARTEFERIA, com 24 anos, Yasmin Daniely (Cutia) tem uma poética dilacerante e com uma construção muito contemporânea. Leiamos um dos seus poemas na Antologia.
SAIA
A liberdade está no sorriso vermelho.
A liberdade está no chão.
A liberdade está no desapego
As cores dançam nas sete salas de
cetim
Que a barata deixou para trás.

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