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Cláudio Guadalupe

Poetas integrantes da Antologia do Arteferia (parte II)

Por Redação Jornal Agora
Poetas integrantes da Antologia do Arteferia (parte II)

Como já dizemos na coluna da semana passada, o Coletivo ARTEFERIA produziu 16 edições de jornais, duas Antologias. Em 2024, a primeira antologia, foi a Poesia Coletivo Arteferiana e recentemente, a Arteferia II – Antologia Poética (2026). Hoje, aqui nesta coluna, vamos trazer alguns textos desta última antologia.

Hoje vamos apresentar as vozes masculinas, de poetas novos que contribuíram para a  Arteferia II. São vozes diversas, ora por uma poética minimalista, intimista, ora com discursos com um viés de crítica social bastante forte. 

Da poesia minimalista, que é uma poética mais sintética, com a preocupação da elaboração estética do texto, no espaço do papel, podemos apresentar dois poetas: Victor Marques (Formiga/MG) e Afonso de Castro Gonçalves (Maravilhas/MG). Ambos integrados ao movimento do ARTEFERIA, que cada vez mais amplia sua presença na região Centro-Oeste. 

Primeiro leremos o poeta Victor Marques, que realiza nos seus textos a METAPOESIA, com poema que explica a elaboração dos poemas.

ADMIRÁVEL VERSO NOVO

Poema é quando as palavras desenham o sentimento.

poesia é quando o sentimento desenha as palavras.

poema é espelho

poesia é um autorretrato.

ATÉ O ÚLTIMO VERSO

Toda poesia é um encontro

de vários desencontros

até o último verso.

O outro poeta foi Afonso de Castro Gonçalves, um consolidado e bom escritor da cidade Maravilhas, que possui uma preocupação fina com a construção de poemas minimalistas. Senão leiamos.

VÊNUS E EROS

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Com as mãos de esteta

Afago, infante, teu corpo

Amante e poeta.  

 AMAR-TE É TRAMA (Poema palíndromo)

a rogar agora

roda de dor

mote e tom

a mira na rima

o rito o tiro

a diva do poeta

até o pó da vida.

O terceiro poeta a ser apresentado da coletânea do ARTEFERIA será o poeta Glauber Júnio, um multiartista da nossa cidade, que é aquarelista, pintor, artista visual e arquiteto. Sua poética tem a característica do rigor na construção dos versos e uso de recursos imagéticos. Vamos conhecer um poema da antologia. 

TE ESPERO NA CURVA

É um oportunista do tempo

quem congela a vida

veste a cor

cheira o sentimento

troca a forma.,

ouve a inspiração

quer guardar para si a experiência

quer compartilhar com os demais

o que nem sempre sabe explicar

quer viver anos   

e morrer no infinito

sabe que, às pressas,

é preciso escrever uma ideia

para que ela não escape

que ao executar uma ação

já pensa na próxima

que mal começa uma

e já desiste para iniciar outra

o tempo é a régua

e correr a palavra

e o pensamento em todas as direções.

O próximo poeta é o intelectual bastante ativo nos movimentos culturais e sociais da cidade. Estamos falando de José Heleno, que tem uma poética centrada na denúncia social. Neste mês lança o seu último livro Entre Páginas e Telas e outras janelas, pela Boutique do Livro. Ex-integrante do ARTEFRIA, contribuiu com quatro poemas que dialogam com a canção O Bêbado e o Equilibrista (João Bosco/Aldir Blanc).

ERA LUA NOVA...

(Aos anos de chumbo do Brasil - 1970)

A escuridão caiu como um viaduto

sobre o país

Gritos roucos,

da dor lancinante da tortura

esbarravam em ouvidos moucos

e em véus que cobriam os porões féticos da ditadura

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As ruas esvaziadas,

as lutas silenciadas,

mãos e mentes atadas

tal como o céu plúmbeo,

a esperança equilibrista se perguntava

se seria inútil, uma dor assim, tão pungente

se haveria luz novamente

após a face do terror

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