Poetas integrantes da Antologia do Arteferia (parte II)

Como já dizemos na coluna da semana passada, o Coletivo ARTEFERIA produziu 16 edições de jornais, duas Antologias. Em 2024, a primeira antologia, foi a Poesia Coletivo Arteferiana e recentemente, a Arteferia II – Antologia Poética (2026). Hoje, aqui nesta coluna, vamos trazer alguns textos desta última antologia.
Hoje vamos apresentar as vozes masculinas, de poetas novos que contribuíram para a Arteferia II. São vozes diversas, ora por uma poética minimalista, intimista, ora com discursos com um viés de crítica social bastante forte.
Da poesia minimalista, que é uma poética mais sintética, com a preocupação da elaboração estética do texto, no espaço do papel, podemos apresentar dois poetas: Victor Marques (Formiga/MG) e Afonso de Castro Gonçalves (Maravilhas/MG). Ambos integrados ao movimento do ARTEFERIA, que cada vez mais amplia sua presença na região Centro-Oeste.
Primeiro leremos o poeta Victor Marques, que realiza nos seus textos a METAPOESIA, com poema que explica a elaboração dos poemas.
ADMIRÁVEL VERSO NOVO
Poema é quando as palavras desenham o sentimento.
poesia é quando o sentimento desenha as palavras.
poema é espelho
poesia é um autorretrato.
ATÉ O ÚLTIMO VERSO
Toda poesia é um encontro
de vários desencontros
até o último verso.
O outro poeta foi Afonso de Castro Gonçalves, um consolidado e bom escritor da cidade Maravilhas, que possui uma preocupação fina com a construção de poemas minimalistas. Senão leiamos.
VÊNUS E EROS

Com as mãos de esteta
Afago, infante, teu corpo
Amante e poeta.
AMAR-TE É TRAMA (Poema palíndromo)
a rogar agora
roda de dor
mote e tom
a mira na rima
o rito o tiro
a diva do poeta
até o pó da vida.
O terceiro poeta a ser apresentado da coletânea do ARTEFERIA será o poeta Glauber Júnio, um multiartista da nossa cidade, que é aquarelista, pintor, artista visual e arquiteto. Sua poética tem a característica do rigor na construção dos versos e uso de recursos imagéticos. Vamos conhecer um poema da antologia.
TE ESPERO NA CURVA
É um oportunista do tempo
quem congela a vida
veste a cor
cheira o sentimento
troca a forma.,
ouve a inspiração
quer guardar para si a experiência
quer compartilhar com os demais
o que nem sempre sabe explicar
quer viver anos
e morrer no infinito
sabe que, às pressas,
é preciso escrever uma ideia
para que ela não escape
que ao executar uma ação
já pensa na próxima
que mal começa uma
e já desiste para iniciar outra
o tempo é a régua
e correr a palavra
e o pensamento em todas as direções.
O próximo poeta é o intelectual bastante ativo nos movimentos culturais e sociais da cidade. Estamos falando de José Heleno, que tem uma poética centrada na denúncia social. Neste mês lança o seu último livro Entre Páginas e Telas e outras janelas, pela Boutique do Livro. Ex-integrante do ARTEFRIA, contribuiu com quatro poemas que dialogam com a canção O Bêbado e o Equilibrista (João Bosco/Aldir Blanc).
ERA LUA NOVA...
(Aos anos de chumbo do Brasil - 1970)
A escuridão caiu como um viaduto
sobre o país
Gritos roucos,
da dor lancinante da tortura
esbarravam em ouvidos moucos
e em véus que cobriam os porões féticos da ditadura

As ruas esvaziadas,
as lutas silenciadas,
mãos e mentes atadas
tal como o céu plúmbeo,
a esperança equilibrista se perguntava
se seria inútil, uma dor assim, tão pungente
se haveria luz novamente
após a face do terror
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