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Welber Tonhá

 A cultura das Copas do Mundo de Futebol parte final

Por Bruno
 A cultura das Copas do Mundo de Futebol parte final

A taça e o tempo

Capítulo III – O futebol global (2006–2026)

A taça do Mundo nunca pertence verdadeiramente a ninguém.

Os campeões a erguem. Os povos a celebram. Os heróis a beijam. Mas, ao final, ela segue viagem.

Quando Ronaldo Fenômeno levantou o troféu em Yokohama, em 2002, parecia o encerramento perfeito de uma era. Pelé, Maradona, Zidane, Ronaldo, Romário, Cruyff e tantos outros já ocupavam seus lugares no grande salão das lendas.

Mas o futebol, assim como o tempo, jamais para, uma nova geração se aproximava. Uma geração conectada pela internet, acompanhada por bilhões de espectadores e transformada em ícones globais. A Copa do Mundo entrava definitivamente no século XXI.

Em 2006, a Alemanha recebeu o planeta, as cidades se vestiram de bandeiras, as ruas tornaram-se encontros de idiomas, o futebol já não era apenas um esporte. Era uma linguagem universal.

A França chegou cercada de dúvidas, seu maior jogador estava próximo da aposentadoria, Zinedine Zidane, elegante, silencioso, genial. Aos 34 anos, parecia caminhar para os últimos capítulos de sua carreira, mas os grandes artistas costumam guardar uma obra-prima para o final, Zidane brilhou durante todo o torneio, eliminou o Brasil. Conduziu a França à final. Mais uma vez o destino colocava franceses e italianos frente a frente.

No início da decisão, Zidane marcou um gol de pênalti com uma cavadinha ousada, parecia o roteiro perfeito, então veio o inesperado, durante a prorrogação, após uma troca de palavras com Marco Materazzi, Zidane virou-se e acertou uma cabeçada no peito do adversário, o mundo ficou paralisado, o árbitro mostrou o cartão vermelho, era o último jogo da carreira do francês, e ele deixava o campo antes do fim, nos pênaltis, a Itália venceu, conquistava seu quarto título mundial.

Enquanto os italianos comemoravam, Zidane desaparecia pelo túnel do estádio, uma das despedidas mais dramáticas da história do esporte.

Em 2010, a Copa desembarcou na África pela primeira vez, a África do Sul recebeu o mundo, era um momento histórico, o futebol finalmente chegava ao único continente que ainda não havia sediado o torneio, as vuvuzelas ecoavam pelos estádios, seu som tornou-se a trilha sonora daquele Mundial.

A favorita era a Espanha, a seleção espanhola havia desenvolvido um estilo quase hipnótico, trocas de passes, controle absoluto, paciência, inteligência. O mundo passou a chamar aquilo de tiki-taka. Xavi, Iniesta, Casillas, Puyol, Villa. Uma geração extraordinária.

Na final, a Espanha enfrentou a Holanda, o jogo foi duro, tenso, equilibrado, a decisão parecia caminhar para os pênaltis, então, na prorrogação, Andrés Iniesta recebeu a bola dentro da área, chutou, gol. A Espanha conquistava sua primeira Copa do Mundo. O país inteiro mergulhou em lágrimas de alegria, uma nova campeã entrava para a história.

Em 2014, a Copa voltou ao Brasil, sessenta e quatro anos haviam passado desde o Maracanazo, o país acreditava que era chegada a hora da redenção, Neymar era o rosto da esperança, os estádios estavam lotados, as cidades vibravam, tudo parecia apontar para uma grande conquista. Mas o futebol guarda capítulos que ninguém consegue prever, na semifinal, o Brasil enfrentou a Alemanha, sem Neymar, lesionado e sem Thiago Silva, suspenso. Ainda assim, ninguém imaginava o que aconteceria, aos onze minutos, a Alemanha abriu o placar, depois marcou outro, e outro, e outro, em menos de meia hora, o mundo assistia incrédulo, o placar mostrava 5 a 0. Ao final, 7 a 1, o Mineirão transformou-se em silêncio, milhões de brasileiros choraram, milhões de estrangeiros tentaram compreender, aquela partida tornou-se um dos resultados mais surpreendentes da história do futebol.

Na final, a Alemanha derrotou a Argentina com um gol de Mario Götze na prorrogação, era o quarto título alemão.

Em 2018, a Rússia recebeu a Copa, o torneio apresentou ao mundo uma nova estrela, seu nome era Kylian Mbappé, velocidade, técnica, coragem, aos dezenove anos, parecia jogar sem sentir o peso da responsabilidade, a França possuía uma equipe jovem e talentosa, Griezmann, Pogba, Kanté, Giroud, Mbappé. A campanha foi consistente.

A final aconteceu contra a surpreendente Croácia de Luka Modrić, os croatas haviam encantado o mundo com sua determinação, mas a França mostrou sua força, venceu por 4 a 2, tornou-se bicampeã. Enquanto os franceses festejavam, muitos enxergavam em Mbappé o herdeiro natural dos grandes craques do passado, mas havia outro homem preparando seu encontro definitivo com a história.

Durante anos, Lionel Messi ouviu a mesma pergunta.

— Quando virá sua Copa do Mundo?

Ele conquistara praticamente tudo, títulos, recordes, bolas de Ouro, mas faltava a taça que consagrara Pelé e Maradona.

Em 2022, no Catar, chegou sua última oportunidade, a Copa foi cercada de expectativas, estádios futuristas surgiram no deserto, tecnologias inéditas foram utilizadas, o planeta inteiro voltou os olhos para o Oriente Médio, a Argentina começou tropeçando, mas cresceu ao longo do torneio, Messi liderava, inspirava, decidia, cada partida parecia um capítulo escrito pelo destino.

Então chegou a final, Argentina contra França, Messi contra Mbappé, passado e futuro, lenda e sucessor, foi talvez a maior final da história. A Argentina abriu vantagem, Mbappé empatou, Messi recolocou os argentinos à frente, Mbappé empatou novamente, 3 a 3, prorrogação, pênaltis, drama absoluto. Quando a última cobrança francesa foi desperdiçada, o estádio explodiu, Messi ajoelhou-se, sorriu, chorou. Finalmente era campeão do mundo. O menino que atravessara oceanos para realizar um sonho completava sua jornada.

Semana que vem falarei da Copa 2026 para fechar, com a eliminação do Brasil, vou ter que mudar meu texto, aguardem. 

welbertonha@gmail.com

Welber Tonhá e Silva 

Imortal da Academia Divinopolitana de Letras, cadeira nº 09

Imortal da Academia de Letras e Artes Luso-Suiça em Genebra, cadeira nº C186

Membro da Academia Mineira de Belas Artes

Historiador, Escritor, Pesquisador, Fotógrafo e Fazedor Cultural.

Instagram: @welbertonha

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