A Ku Klux Klan e o Protestantismo Branco

CREPÚSCULO DA LEI - ANO VIII – CCCLIII
No final do século XIX (1865) os perdedores da Guerra Civil estadunidense, seis ex-oficiais confederados – os “beges” - revoltados e furiosos, inventaram um agrupamento terrorista escroto chamado Ku Klux Klan com o objetivo de continuar a perseguição aos negros e negras ou, pelo menos, dificultar seus movimentos emancipatórios.
O nome desse bando, liderados por um ex-general chamado Nathan Forrest, é uma referência ao grego “kyklos” – círculo, portanto, se apresentam como a “Clã do Círculo” (fechado). O bando, muito embora criado por ex-militares, acabou aderindo a um discurso “religioso” com bases no protestantismo, exatamente para buscar uma “América Branca e protestante”.
Dessa forma, ao bando se juntou pastores, advogados, comerciantes e fazendeiros, ou seja, uma chusma de “pessoas de bem” dispostas a linchar, esfolar, torturar, matar e queimar todos os negros que avistassem pelo caminho.
Os uniformes brancos, bem caracterizados por ridículos capuzes pontiagudos, dão signo aos covardes que, ombreados aos seus respectivos atos de barbárie, espargiam orgasmos de ódio racista diante do ritual da cruz em chamas, significando um conúbio entre renovação e intimidação.
Na realidade, a convocação da cruz queimada era exatamente um recado que significava o seguinte: “O “seu” Jesus e a “sua” cruz não vão te proteger de nós. Vamos te castigar!”.
É claro que há uma ironia macabra nessa aberração quando o símbolo do cristianismo é destruído em chamas, exatamente para gerar a sensação de desamparo, exclusão e medo.
Ao destruir a cruz pelo fogo, esse bando paramilitar de retardados se vê liberados para os atos de terrorismo doméstico, desde linchamentos, espancamentos, incêndios, torturas, estupros, ameaças coletivas e intimidação eleitoral.
Como se trata de um grupo terrorista, praticam atentados a bomba, assassinatos de lideranças negras e dos direitos humanos e ataques e destruição de igrejas negras. Um exemplo, dentre tantos, foi o atentado contra a 16th Street Baptist Church, em 1963, gerando mortes de crianças negras.
Ainda no lastro da covardia dessas “pessoas de bem”, a Ku Klux Klan se apresenta como defensora do “cristianismo protestante branco”, buscando a ocultação e desvinculação de sua barbárie no discurso da “liberdade religiosa”, tanto mais registrando-se como associação civil sem fins lucrativos. Uma excrescência absoluta!
Portanto, ser inspirado por uma religião não faz de ninguém “pessoa de bem”; ser inspirada por religião não faz uma organização ser uma igreja e, invocar o nome de Deus ou a Bíblia não altera a natureza violenta e corrupta de um grupo ou entidade política.
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