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Editorial

A repetição da tragédia

Por Bruno
A repetição da tragédia

Mais uma jovem. Mais um corpo encontrado com sinais de violência. Mais uma família destruída. Mais uma cidade em choque. Vanessa Lara de Oliveira, 23 anos, estudante de psicologia, cheia de planos, sonhos e metas profissionais, saiu para cumprir sua rotina de estágio e não voltou para casa. Foi encontrada morta, com indícios de violência sexual, às margens de uma rodovia. O principal suspeito tem histórico criminal e estava em regime semiaberto domiciliar. Está foragido.

Não é a primeira vez que escrevemos sobre um caso assim. E essa talvez seja a parte mais assustadora. A cada novo crime contra uma mulher, repetem-se os mesmos elementos: violência brutal, suspeitos reincidentes, histórico de falhas no sistema, comoção nas redes sociais, notas de pesar, promessas de investigação rigorosa. Depois, o ciclo recomeça com outro nome, outro rosto, outra família devastada.

O assassinato de Vanessa não é um episódio isolado. Ele se insere em um cenário nacional alarmante. Os números falam por si: milhares de casos de feminicídio julgados em um único ano, centenas de milhares de medidas protetivas concedidas, centenas de denúncias diárias registradas. A violência contra a mulher deixou de ser exceção há muito tempo. Está se tornando rotina. E quando a barbárie vira rotina, a sociedade inteira adoece.

É preciso perguntar: onde estamos falhando? No sistema prisional que não ressocializa? Na fiscalização de quem cumpre pena em regime domiciliar? Na prevenção? Na educação? Na cultura que ainda naturaliza a violência contra mulheres? O suspeito já tinha passagens por tentativa de estupro, roubos e tráfico. Ainda assim, circulava. A tragédia escancara não apenas a crueldade individual, mas as brechas estruturais que permitem que crimes assim se repitam.

Vanessa era estudante de psicologia. Trabalhou com crianças e adolescentes no Caps. Sonhava em atuar na área de Recursos Humanos. Tinha planos, projetos, futuro. Não é apenas uma estatística. Não é apenas mais um caso policial. É uma vida interrompida.

A repercussão é grande. A indignação é legítima. Mas a indignação, sozinha, não basta. É preciso que cada novo caso não seja apenas mais uma manchete que se dissolve com o tempo. É preciso que gere cobrança, mudança, revisão de políticas públicas, fiscalização efetiva e, principalmente, prevenção.

Não podemos normalizar a brutalidade. Não podemos aceitar que mulheres tenham medo de ir e voltar do trabalho, do estágio, da faculdade. Não podemos continuar escrevendo editoriais como este a cada poucas semanas. 

Mais uma jovem assassinada. Mais uma história interrompida. A pergunta que fica é incômoda, mas necessária: até quando vamos tratar o inaceitável como rotina?

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