Carregando clima…
Política

Câmara receberá reunião pública para debater riscos de apostas

Câmara receberá reunião pública para debater riscos de apostas

Lucas Maciel

Os jogos de apostas se tornaram cada vez mais populares nos últimos anos, especialmente com o crescimento das plataformas online. O mercado, antes restrito a cassinos e loterias, agora está disponível a um clique, atraindo um público maior.

No entanto, essa expansão traz muitos riscos, como problemas financeiros e psicológicos, que afetam não apenas os jogadores, mas também suas famílias e comunidades. Esses riscos, muitas vezes invisíveis, podem causar danos sérios a longo prazo.

Sensibilizada por diversos casos que chegaram até ela, a advogada Adriana Ferreira iniciou em Divinópolis a campanha “Família e Jogatina Não Combinam”. A ação conta com o apoio do Jornal Agora, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Divinópolis, do Ministério Público da Infância e Juventude e da Prefeitura Municipal, através da Secretaria Municipal de Educação (Semed), e da Câmara Municipal com o objetivo de conscientizar a população sobre os perigos dos jogos de aposta e suas consequências.

 A campanha tem ganhado cada vez mais força e, nesta quinta-feira, 30, realizará sua primeira reunião pública.

Reunião 

O encontro acontecerá no Plenário da Câmara Municipal de Divinópolis, localizada na rua São Paulo, 277, no Centro, a partir das 19h30. 

O padrinho da campanha, promotor da Vara da Infância e Juventude da Comarca de Divinópolis, Casé Fortes, abordará sobre a parte jurídica relacionada ao problema das apostas, com destaque para as implicações cíveis e criminais do envolvimento de crianças e adolescentes, além dos danos que isso pode causar nas famílias.

 Outro convidado é o médico psiquiatra Tiago de Oliveira Braga, especializado no atendimento de crianças e adolescentes vítimas do vício em apostas. Ele falará sobre os impactos deste problema na população, com ênfase nos jovens.

Campanha

O Agora conversou com a idealizadora. A ideia surgiu após conversas com a equipe do Agora,  com Casé Fortes  e a presidente da OAB/Divinópolis, Ellen Lima, que imediatamente apoiaram a ideia.

 Segundo Adriana, são inúmeros os relatos de famílias prejudicadas pelo envolvimento com apostas. Em um deles, ela compartilhou o caso de uma mãe que apostava o dinheiro recebido através do auxílio federal, colocando em risco a alimentação dos filhos.

 — A ideia da campanha surgiu após ouvir de diversas pessoas os problemas que estavam enfrentando em razão do vício dos jogos. Dinheiro do Bolsa Família sendo utilizado para jogar, fiquei sabendo de dono de empresa que tinha praticamente quebrado por causa de jogos, gente pedindo acerto para jogar, e entre outros — contou. 

 Ela conta, ainda, que o assunto já era uma preocupação antiga.

 — Desde 2019 eu estou na campanha de valorização à vida e como o número crescente de pessoas, principalmente jovens, que cometiam autoextermínio em razão do endividamento causado pelas apostas, pensei na campanha e logo  ganhamos apoiadores de peso, conforme dito acima — completou a advogada. 

Impactos 

Um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgado em setembro do ano passado, revelou que as plataformas de apostas esportivas, popularmente conhecidas como "bets", poderiam gerar um prejuízo anual de R$ 117 bilhões aos estabelecimentos comerciais do país. 

 O estudo também apontou que, entre junho de 2023 e junho de 2024, os brasileiros gastaram impressionantes R$ 68 bilhões em apostas nas bets. Esse valor corresponde a 0,62% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e 0,95% do consumo total no período.

A pesquisa traçou, ainda, um perfil dos apostadores, destacando que os cassinos online atraem majoritariamente o público feminino, enquanto as apostas em futebol, a modalidade mais popular, são predominantemente feitas por homens. Esse cenário tem gerado preocupações, principalmente em relação ao aumento do envolvimento feminino com plataformas como o "Jogo do Tigrinho", que pode ter impactos significativos, dado que muitas mulheres são responsáveis pela gestão dos benefícios sociais no país.

Bolsa Família

Além disso, dados do Banco Central indicaram que, em agosto de 2024, beneficiários do Bolsa Família gastaram R$ 3 bilhões em apostas através de transferências via Pix, o que tem gerado um alerta sobre os riscos sociais desse comportamento. 

Mercado regulado

Para corrigir esse cenário, o governo federal finalizou no final de 2024, a regulamentação das apostas no Brasil para trazer mais segurança ao mercado e proteger os apostadores. A nova lei inclui medidas como o controle de fluxos financeiros, proibição de crédito para apostas e exigência de identificação por CPF e reconhecimento facial, visando criar um ambiente mais seguro e evitar o envolvimento de crianças e adolescentes.

As empresas de apostas também precisarão seguir regras para prevenir crimes como lavagem de dinheiro e operar apenas com o domínio “.bet.br”. A fiscalização ficará a cargo da Secretaria de Acompanhamento de Apostas (SPA), que monitorará todas as transações e atividades do setor, garantindo maior controle e segurança para os consumidores.

Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…