Resposta de Dom Pedro ll

LEOLINO E PÓRCIA - CAP. XXVI
Digníssimo Senhor, poeta do município de Divinópolis/ MG,
João Carlos Ramos
Bom dia, com a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo!
Encontrei um tempo para ler a sua correspondência, que por sinal, é muito culta e recheada de verdades. Me lembrei de minhas viagens pela Europa e obviamente dos grandes escritores franceses como Victor Hugo e Honoré Balzac, mestres da arte romântica da escrita, as quais, muito admiro. Suas obras são meus livros de cabeceira, os quais vivo a meditar. Pelo seu rigor da escrita e observação minuciosa dos fatos, parece-me que és homem íntegro e deves gozar de prestígio entre seus pares e, sobretudo, no serviço público, onde prossegues como agente de administração. Um homem acima de seu tempo, é reconhecido, apenas, como o termo diz, em séculos vindouros. Reconheço as debilidades do Império, contudo, as mazelas da República são nítidas e vergonhosas. Tu és fruto da mão de minha filha, sendo um negro que alcansou o período de liberdade. Sempre vivi para esse momento. Lamento que, mesmo livre, tu és escravo da injustiça social. Somente os poetas, podem transportar a sociedade para a luz. Quanto à sua ansiedade sobre minha opinião, acerca do casal de amantes Leolino e Pórcia, tenho duas respostas: a resposta da mente e a do coração. A primeira é rápida e objetiva. Erraram e toda semeadura, herda uma colheita farta. A segunda, ilustre poeta, está ligada ao imprevisível. Os fios do destino são tecidos no imponderável. Ninguém escapa de uma atração fatal. Tu bem dizes em seu poema, “O Amante”, que consta no Livro Uma noite sem ela : O amante é um preso condicional. É livre para perder
É preso para amar. — O campo precisa dos golpes da enxada!. O próprio poema responde às suas indagações. Permita-me, tocar em um assunto que não diz respeito aos mistérios do coração. Vamos ser realistas: A república, nasceu amaldiçoada. O livro A maldição do Imperador, que faz parte do acervo da famosa Biblioteca Ataliba Lago, retrata o conteúdo da mesma. Ela diz que a República, seria composta de traídos e traidores e a paz, jamais reinaria em seus pórticos. Não precisa de inimigos, pois suas mazelas a denunciam como inimiga da justiça. Observe o congresso nacional: Todos se digladiam dia e noite, advogando em causa própria. O povo, sempre perde e eles, sempre ganham .O salário de um deputado federal ao findar o ano de 2025 é de 46.366,19, sendo acrescido dos famosos "penduricalhos", permitidos pela lei que eles mesmos criaram... Em contrapartida, o salário mínimo é de míseros R$ 1.518. O que mais me dói no túmulo, é ver os frutos dessa injustiça incomparável. Assaltos. Divórcios. Suicídios em larga escala e os famigerados atos de feminicídios. Neste ano, quatro mulheres foram assassinadas por dia no Brasil. Continuaria por horas, desfilando os horrores da república... Me desculpe, preciso voltar ao assunto do rapto de Pórcia. Quer saber de uma coisa?: Já que me expulsaram do Brasil como a um cão e piorou tudo em minha terra amada, e aproveitando a minha ira patriótica, venho dizer em alto e bom som: Leolino e Pórcia estavam certos. Pelo menos, aproveitaram alguns momentos felizes. A sociedade hipócrita que se dane! Todo meu império é nada, perante um lindo amor! Toda a República, se desfaz, perante as lavas vulcânicas e impetuosas da paixão tórrida de Leolino e Pórcia! Antes que eu me esqueça, queria transmitir meus reais e sinceros agradecimentos à ilustre Sra. Janiene Faria, Diretora do Grupo Agora de Comunicação, e também a Sra. Gisele Souto, Editora-chefe, pela porta aberta para essa correspondência!
Paz real !
Sua Majestade imperial, D. Pedro II
jocarrmos@gmail.com
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