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Política

Conta lá em cima

Conta lá em cima

A situação financeira de Minas Gerais é crítica. A dívida com a União, estimada em janeiro de 2019 em R$ 114 bilhões, agora está em R$ 201 bilhões. Beira o inaceitável ver um dos estados com o maior Produto Interno Bruto (PIB) do país sufoco por más administrações. Erro dos governadores que não souberam frear a dívida, bem como das demais lideranças políticas, responsáveis também por fiscalizar o orçamento. Imaginemos esse valor investido na Saúde? Na Educação? Em Segurança Pública? Nas rodovias e suas vias precárias? É dinheiro que não acaba mais. Enquanto isso, Minas Gerais estima uma renúncia fiscal de R$ 25 bilhões para o próximo ano. A conta não bate. E, como sempre, quem paga a conta é o cidadão. Uma vergonha total. Para os servidores, reajustes mínimos, apenas para dizer que concedeu, enquanto a defasagem corrói o salário. Apenas dos mais simples, claro, e daqueles que colocam suas vidas em risco diariamente, como os profissionais da segurança pública. Para a elite, parlamentares, membros do judiciário e o próprio governador —lembremos dos 300% —, o país não poderia estar melhor com tantas benesses. É verdade: Minas são muitas, entre os privilégios e as desigualdades. 

Privatização

Tudo na vida pode ser bom ou ruim. Existem estatais ineficientes, assim como há aqueles que geram lucro e valor social. Assim como há empresas privadas mal administradas e que decretam falência. As eventuais privatizações da Copasa e da Cemig ainda são uma incógnita. Mas, quase na mesma semana que os deputados estaduais autorizaram a venda da Copasa, a Sabesp, responsável pelo abastecimento de água em São Paulo, anunciou um reajuste de 6,11% no ano que vem. A empresa também era estatal e foi privatizada. Como será em Minas? O serviço, tão criticado pela população, melhorá? Apenas o tempo dirá. 

Brasil, meu Brasil

Quem acredita na política como instrumento de transformação social tem cada vez menos motivos para manter sua crença. No Rio, a Polícia Federal (PF) prendeu o presidente da Assembleia Legislativa por suspeita de vazar informações de operação policial contra o Comando Vermelho (CV). Ele teria orientado outro deputado, já preso por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, a destruir provas. Já não bastava políticos ruins, agora ainda temos uma política contaminada por facções criminosas. Uma situação que leva à total descrença. Mas, no fim, generalizar seria admitir a derrota e declarar o outro lado vencedor. É preciso eliminar as “laranjas podres” e seguir acreditando que há, sim, bons políticos, comprometidos com o bem-estar coletivo. Caso contrário, seguiremos sendo para sempre um país estagnado, onde a política é encarada como fonte de renda, onde quanto mais se tem, mais sequer, onde os parasitas nunca estão satisfeitos. 

Já começou 

 Como o editor ao lado detalhou muito bem, Carlos Viana (Podemos) pode ser candidato  no ano que vem, não à reeleição como senador, mas na chapa encabeçada pelo senador Cleitinho (Republicanos) ao Governo de Minas, caso Euclydes Pettersen, presidente da Republicanos, não concorra ao cargo. Não há nada fechado neste sentido, mas a aproximação já começou e o cenário começa a ser desenhado. 

Seria o nome

A princípio, Pettersen seria a escolha de Cleitinho, mas o trabalho da CPMI do INSS – presidida por Viana – e investigações da Polícia Federal têm Pettersen como um dos alvos. Segundo a PF, o parlamentar teria recebido R$ 14,7 milhões em propina no esquema de desvios do INSS. O deputado nega envolvimento e afirma que vai provar sua inocência. O que o deputado já começou a fazer. Mas, só o tempo dirá. Aguardemos. 

Pode encaixar 

Caso Pettersen tenha a sua candidatura inviabilizada, abre-se um buraco para Cleitinho, que, apesar de ainda não ter confirmado, é pré-candidato ao lugar de Romeu Zema, montar uma chapa com novo figurante. É aí que pode entrar Carlos Viana, ou adere ao grupo de Cleitinho, como apoiador e tenta a reeleição no Senado. Novidades neste sentido, devem aparecer até o fim do mês. 

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