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Marina Diva de Oliveira

Cuidar da saúde mental  é um ato de lucidez 

Por Portal Agora
Cuidar da saúde mental  é um ato de lucidez 

No livro Ensaio sobre a Cegueira, José Saramago descreve uma epidemia súbita de cegueira branca que se espalha pela cidade, revelando o lado mais obscuro da humanidade. A narrativa é desconcertante e, ao mesmo tempo, incrivelmente atual. Porque o que adoece ali não são os olhos. É a alma.

Essa semana, me peguei lembrando do livro ao conversar com uma mulher forte, dedicada, que me procurou dizendo: “Não sei o que está acontecendo comigo. Só queria sumir.” Era ela, mas poderia ser qualquer uma de nós. Com tanto barulho por dentro que a gente para de ver. Para de sentir. Para de ser.

O que Saramago nos mostra é que quando perdemos a capacidade de enxergar o outro e, a nós mesmos, adoecemos coletivamente. A cegueira que mais destrói não é a dos olhos. É a do afeto, da empatia, da escuta, da pausa.

Estamos todos um pouco cegos, você não acha?

Cegos de cansaço.

De cobrança.

De busca pela perfeição.

De notificações e expectativas.

De silêncios engolidos.

Nunca se falou tanto em saúde mental, e, ainda assim, as pessoas seguem adoecidas. E não é porque falta coragem. Mas, talvez, por falta de espaço. Falta vínculo. Falta humanidade.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já nos alertou: ansiedade e depressão são as maiores causas de afastamento do trabalho no mundo. Mas, na prática, o que fazemos com isso?

Esperamos que a crise bata na porta para então acolher.

Esperamos que alguém desmorone para então cuidar.

Esperamos que tudo fique insustentável para então mudar.

Cuidar da saúde mental é um ato de lucidez.

É o oposto da cegueira emocional que insiste em dizer “vai passar”, quando o que a gente precisa é de um “tô aqui”.

Não se trata de romantizar o sofrimento.

Se trata de dar nome. Dar lugar. Dar sentido.

E isso não começa com manuais, nem fórmulas.

Começa com a pergunta mais simples e mais poderosa que podemos fazer a alguém:

"Como você está... de verdade?" e estar disponível para ouvir.

Talvez não haja solução mágica. Mas há caminho.

Há presença.

Há reconstrução.

Há brechas de luz entre as frestas da cegueira cotidiana.

O livro de Saramago termina com uma frase que me atravessa: “Acho que não cegamos, acho que estamos cegos. Cegos que veem. Cegos que, vendo, não veem”.

Que a gente não se acostume a andar por aí sem enxergar o essencial.

Que a saúde mental não seja só discurso, mas prática feita de vínculos, políticas públicas e coragem coletiva.

Porque, no fundo, tudo o que a gente quer é ser visto.

E isso não é fraqueza.

É humanidade.

E, se você tem sentido um peso constante, dificuldade de dormir, desânimo persistente, falta de prazer no que antes fazia sentido, irritabilidade sem motivo ou aquela sensação de que está “desconectado de si”, não ignore!

Esses sinais são a forma do nosso corpo contar que não está bem! Que precisa de ajuda.

Fale com alguém de confiança. Procure sua rede de apoio. E, se for necessário, busque ajuda profissional.

Cuidar da mente é revolucionário.

Você não precisa dar conta de tudo sozinho.

Há caminhos, há mãos estendidas, há tratamento.

E há vida, mesmo depois do caos. Mesmo depois da cegueira.

Porque viver com sentido é o que me move.

E é isso que eu desejo pra você também.

Respira, é humano.

Marina Diva de Oliveira – Mestre em Ciências da Saúde;  especialista em Saúde Mental; enfermeira; fundadora da Amar Health Hub;  mentora em Saúde Mental Corporativa; criadora da Mentoria D.I.V.A. e do projeto “Olhares Femininos”; diretora de Eventos Acid JovemCompre vitaminas e suplementos

marinadivaahh@gmail.com 

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