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Preto no Branco

Diferenciado

Por Gisele Souto · Redação· 4 min de leitura
Diferenciado

Durante muito tempo, uma das principais críticas feitas a Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi a de que o senador, conhecido pela atuação nas redes sociais e pelas denúncias contra problemas da administração pública, poderia não ter preparo para governar Minas Gerais. Fiscalizar, cobrar e denunciar são funções importantes na vida pública, mas administrar um Estado exige muito mais: planejamento, capacidade de articulação, conhecimento técnico e, sobretudo, a habilidade de transformar discursos em resultados concretos. A possível escolha de nomes como Otto Levy e Vittorio Medioli para compor uma eventual equipe de governo, caso se confirme essa estratégia, ajuda a colocar essa discussão sob uma perspectiva diferente. São nomes associados a experiências de gestão e ao conhecimento técnico, características que podem contribuir para uma administração estadual mais profissionalizada. E ao que parece tudo caminha para isso. Até porque,  jogo de cintura para discutir qualquer questão e o pulso firme na hora de dizer não, quando entende não ser a melhor escolha, faz de Cleitinho, um nome diferenciado na política. Principalmente pelo fato de não agradar e atender interesses do seu meio, muito comum, e não é de hoje, e pensar primeiro nos anseios do povo. 

Competência 

O ponto central não é afirmar, antecipadamente, que Cleitinho será um bom governador. Seria precipitado fazer qualquer avaliação definitiva antes de conhecer o conjunto de sua equipe, suas prioridades e a forma como pretende conduzir a máquina pública. A questão é reconhecer que a capacidade de escolher bons quadros também faz parte da competência política — e que esse aspecto merece ser considerado com seriedade. A política brasileira frequentemente confunde comunicação com gestão. Um político que fala bem, denuncia irregularidades e consegue mobilizar a opinião pública pode conquistar popularidade, mas essas qualidades, isoladamente, não garantem capacidade administrativa. Da mesma forma, alguém que construiu sua trajetória longe dos holofotes pode ter competência para comandar estruturas complexas, negociar soluções e entregar resultados. E o governador eleito tem tudo para fazer isso, se continuar pensando e agindo como fez até hoje. Claro que as cobranças e as críticas serão suas companheiras diárias, mas não vai conseguir derrubar para quem saiu de um estabelecimento comercial comum, de uma família simples, para ser atualmente o principal nome da política mineira.

Expectativa 

Cleitinho construiu sua imagem pública justamente por meio da fiscalização, da linguagem direta e da exposição de problemas nas redes sociais. Esse estilo o aproximou de parte significativa da população, cansada de discursos burocráticos e de políticos que parecem distantes da realidade das pessoas. Por isso, a expectativa sobre ele é abundantemente maior: não basta apontar o que está errado; é preciso saber como corrigir, quanto vai custar, de onde virão os recursos e quais serão as consequências das decisões. Nada que uma equipe bem montada, aliada ao poder de articulação do senador, que circula livremente em todos os corredores, não dê conta. 

Construção 

É nesse contexto que a formação de uma equipe técnica ganha importância. Um governador não precisa dominar pessoalmente todas as áreas da administração pública, mas é necessário saber escolher pessoas qualificadas, estabelecer metas, cobrar resultados e tomar decisões fundamentadas. Bons secretários podem ajudar a preencher lacunas de experiência, oferecer conhecimento especializado e dar sustentação a políticas públicas que exigem continuidade e planejamento. Isso não significa que a presença de nomes experientes seja suficiente. Currículo não substitui resultado, assim como reputação empresarial ou conhecimento técnico não garantem, por si só, sensibilidade social e compromisso com o interesse público. Ainda assim, é justo reconhecer que a escolha de profissionais com experiência pode contrariar a previsão de que Cleitinho se limitaria a reproduzir, no governo, o mesmo comportamento que o tornou conhecido nas redes sociais. A montagem de uma equipe qualificada seria um sinal de que ele compreende a diferença entre fiscalizar a administração e assumir a responsabilidade de administrá-la. Dito isso, os dois possíveis nomes apresentados representam bem esse entendimento do futuro governador. 

Resultado 

A prova definitiva virá da gestão: dos serviços implementados e ofertados, das contas públicas, das obras entregues, da qualidade das políticas públicas e da capacidade de responder às demandas dos mineiros. Até lá, a escolha de bons quadros merece ser vista como um sinal potencialmente positivo — não como uma garantia de sucesso, mas como um elemento concreto a ser considerado na avaliação de quem pretende governar o Estado. Porque denunciar problemas pode dar visibilidade a um político. Escolher as pessoas certas, estabelecer prioridades e entregar resultados é o que poderá transformá-lo em um governador que ficará para sempre na memória dos mineiros.

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