Diocese de Divinópolis reúne prefeitos para refletir sobre opção pelos pobres

Flávio Flora
Representantes de 21 das 25 cidades, que integram a Diocese de Divinópolis, estiveram na manhã do último sábado, no salão nobre do Instituto Nossa Senhora do Sagrado Coração, participando de um encontro de formação e reflexão sobre o exercício de mandatos. O encontro reuniu 98 pessoas, sendo oito prefeitos e dezenas de vereadores e assessores.
O encontro de reflexão política foi promovido pelo?Conselho Diocesano de Leigos e o Núcleo Eclesial de Estudos e Ação Político-Social (NEEAPS). De Bom Despacho, São Antônio do Monte e Oliveira, apesar de não pertencerem à Diocese também estiveram representados. O prefeito Galileu Machado (PMD), quem tem seu projeto político voltado para a camada mais pobre, também estava presente.
Mandato político
Após um momento de reflexão, ao início das apresentações, o bispo dom José Carlos destacou que a intenção do evento não era formatar a ideia dos participantes, seja do ponto de vista religioso católico, seja no aspecto puramente político. O tema central do encontro era o exercício do mandato político, que deve se pautar por princípios e valores universais.
— O ponto de partida é que nós somos uma igreja católica e não temos nenhuma posição político-partidária. Os que estão conosco podem e devem tê-la e o que nós queremos fazer é circular entre nós os discursos, as discussões e os debates que façam aparecer aquilo que serve a todos, independentementeda opção política — disse o bispo na abertura dos trabalhos.
Princípios morais
Em seu pronunciamento, dom José chamou a atenção para “princípios norteadores” em política, como a dignidade humana, a ética cristã, o diálogo e a parceria “na diversidade de olhares sobre única realidade”, a repartição justa dos bens e a solidariedade:
— Vai governar mal quem quiser governar sozinho, porque ninguém, sozinho, captura a realidade inteira — sentenciou.
Dom José Carlos comentou sobre a polêmica Teoria da Libertação, afirmando que ela se fixou, apesar de “todas as suas dificuldades, limites, críticas, rejeições”, por se colocar na opção preferencial pelos pobres e também porque motivou e levou muita gente a olhar para a periferia das cidades e a pobreza. O bispo comentou também sobre as Campanhas anuais da Fraternidade, afirmando que elas têm desempenhado um papel motivador de reflexão:
— Foram campanhas que focaram, principalmente, a partir dos anos 1980, grandes problemas e conflitos humanos. Campanhas que ajudaram a enxergar realidades ou não vistas ou não assumidas e realidades problemáticas — comentou.
Reinventar a política
Ao final das apresentações, falou o doutor José Geraldo Pedrosa, sociólogo, sobre a importância do Legislador, do Executivo e a Ética no meio político.
— A política passa por intensa turbulência. O município tem melhores condições de reinventar a política. A democracia indireta produziu absurdos. Uma alternativa não é a ditadura, é a democracia direta. Município é propício para a democracia direta: participação! Isso implica mudanças: a participação é método, a cidade é o fim, o político é o educador — ressalta Pedrosa.
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