Editorial: ‘Amostra grátis´

Menos de 30 dias para o início do período eleitoral e a disputa pelo poder começa a ficar acirrada. A partir do dia 5 de abril já começam a valer as regras eleitorais, e daí em diante vai ser “ladeira abaixo”. Serão seis meses intensos, isso todos já sabem, mas ao que tudo indica, neste ano, a situação poderá ser um pouco pior. Os dois primeiros meses do ano foram cruciais para a política local, e foi apenas uma “amostra grátis” para o eleitorado do que se pode esperar pela frente. Mas, talvez aqui hoje, a reflexão necessária não seja para o eleitor, que já tem motivos de sobra para pensar sobre o seu comportamento perante o pleito e suas escolhas. Talvez, hoje, o momento de refletir seja para os ditos “representantes do povo”. Sem dúvida, Divinópolis conseguiu protagonizar capítulos tristes em sua história, envolvendo toda a política local. Legislativo e Executivo. E, com este cenário caótico enfrentado pela cidade nos últimos meses, que na verdade são reflexo dos últimos anos, só ficou a certeza de que já não é mais possível levar a coisa do jeito que está.
Talvez essa tenha sido uma das piores legislaturas já vistas na cidade, e não é mais possível fingir que algo está sendo ou foi feito. As ações dos parlamentares ficaram no raso, no superficial. Poucos conseguiram cumprir com suas obrigações de legislador. Tudo isso só mostra que Divinópolis definitivamente não aguenta mais quatro anos deste jeito. É preciso que a cidade tenha um “up”, um algo a mais para sair da seara da “sobrevivência”. Muito falou-se sobre as grandes lições que a votação para a cassação do mandato dos vereadores Eduardo Print Júnior (PSDB) e Rodrigo Kaboja (PSD) deixaram. Mas a questão é: os vereadores aprenderam? O Executivo aprendeu com isso? Afinal, de nada adianta passar por uma situação dessas e não aprender com ela. Do lado de cá, não cabe a ninguém determinar o que deve ser feito. Talvez, apenas cobrar, exigir bom senso do lado de lá, que é pago, e muito bem pago, diga-se de passagem, para fazer com que essa cidade ande.
E, ainda no âmbito do talvez, essa “cobrança” de bom senso seja o mínimo que um povo pode ter com os seus representantes. Diante deste cenário, e com a aproximação do período eleitoral, a única certeza que se tem é que ambos os lados têm “deveres de casa”. O resultado dessa “lição” o povo só saberá no dia 6 de outubro, e vai ser justamente nesta data que todos terão a prova se a população deseja mudança mesmo, ou se acostumou com o caos, e gosta deste processo longe de ser o ideal vivido diariamente por aqui. Porque talvez, o “X” da questão não esteja ligado diretamente à troca, afinal não é garantia de melhorias, mas sim, de aprendizado. Dizem que sonhar não paga, talvez tudo isso pode ser apenas uma utopia, um desejo latente. Mas é fato que Divinopolis não aguenta mais quatro anos do que foi a conjunção da última legislatura com o último governo municipal.
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
