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Editorial

‘Tribunal da internet’

‘Tribunal da internet’

A cada dia, o “tribunal da internet” impressiona mais. Além de sua rotina de julgar, apontar, determinar quem é bom, quem é ruim, quem fez e quem não fez, e prova a cada dia que a humanidade definitivamente não estava preparada para o advento da internet e redes sociais. É impossível não falar desse tema e não citar aquela fala de Umberto Eco, que define bem a atualidade: “As redes sociais deram o direito à palavra a legiões de imbecis que, antes, só falavam nos bares, após um copo de vinho e não causavam nenhum mal para a coletividade". "Nós os fazíamos calar imediatamente, enquanto hoje eles têm o mesmo direito de palavra do que um prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis”. Resumindo é isso. Um monte de gente que não sabe de nada, se coloca diariamente no papel de “juiz” e determina valores, distorce fatos, cria acontecimentos sobre o outro, sobre o cenário político local e nacional, e por aí vai. Mas, a grande verdade sobre isso é que com este movimento a humanidade deu conta de criar não apenas o “Tribunal da Internet”, mas sim o “Tribunal do Ódio”. 

Perigoso. Esta é a palavra perfeita para definir este modo de vida que todos levam hoje, quando boa parte é na internet. Além de ser um mundo de ilusões, onde todos estão disputando sempre quem é o melhor e tem o melhor em tudo, o mundo digital tornou-se um “lugar” perigoso, que pode trazer consequências irreversíveis para vida de uma pessoa. Divinópolis, infelizmente, tem entrado nessa “onda”. Páginas são criadas sob o disfarce de promover conteúdo, quando na verdade o único intuito é disseminar ódio e promover ataques. Esse movimento chegou na cidade, e o povo tem financiado isso. Mas, antes de entrar nessa seara é preciso falar sobre o comportamento de algumas pessoas nos comentários. “Lugar” onde muitos usam apenas para descontar suas frustrações, e acabam promovendo o horror. Seguindo a linha de Umberto Eco, como as redes sociais deram voz aos imbecis, esses têm causado estragos irreparáveis. Na última semana, por exemplo, um jovem foi assassinado, e bastou a notícia ser divulgada para que os “juízes da internet” começassem seus julgamentos. 

De inúmeras passagens pela polícia a traficante. Apontamentos e suposições não faltaram. Quando a verdade mesmo, era que o jovem era trabalhador, e sequer tinha passagem policial. Revoltante. Angustiante. A família do rapaz, como se não bastasse enfrentar o luto, teve que lidar ainda com julgamentos infundados. Foi condenada duas vezes. O que é mais interessante é constatar que os “juízes” são os mesmos que muitas vezes se autodenominam cristãos, tementes a Deus. Em outras palavras, a hipocrisia e a incoerência se fazem presentes neste cenário que dá medo, e muitas vezes, nojo. Diante tudo isso, a única pergunta que resta é: em qual lugar este caminho levará? Ao que tudo indica, não será um caminho de flores e bons frutos. E, é sempre bom lembrar que para cada ação existe uma reação, então, a humanidade pode sentar e esperar, porque a colheita vem, mesmo que o plantio não seja dos melhores.

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