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Editorial

Editorial: Click da morte 

Editorial: Click da morte 

Divinópolis viveu, neste fim de semana, uma comoção sem medida com a morte de Vanessa Bernardes. Chega a ser assustador pensar que uma pessoa com um futuro todo pela frente, mãe e filha amada, definiu em algum momento que não valeria mais a pena viver. 

Pressão?

Angústia? 

Desespero?

A vida tem sido banalizada, isso é fato, porém uma pessoa chegar ao extremo e não querer mais viver, devido algum fato em específico, é porque aquilo fez uma diferença muito grande para tomar tal decisão. 

Dor é o sentimento que resta para tal situação; e também um aprendizado.

Como imprensa temos percebido, sim, a fragilidade do ser humano em muitos aspectos, talvez por momentos difíceis que a própria vida  oferece, por contrariedades do cotidiano, por enes problemas. Mas uma pessoa tirar a própria vida em detrimento a outrem, que agiu de forma proposital, não dá pra calar com tamanha maldade e falta de profissionalismo. É visível que a população da cidade em peso reconhece tamanho absurdo. 

O click da morte, sentimento que brota ao falar desse fato lastimável que Divinópolis viveu, um cenário de filme que deixou uma família desestabilizada, destruída e abandonada. 

Ah, como a história poderia ter sido diferente e acabado com um aperto de mão, um fogo no olhar de quem encontrou a paz e de quem errou pedir desculpas num abraço.

Porém, sobraram apenas processos, lamúrias e acusações que nunca mais irão ouvir a voz daquela mulher, que confiou o seu sufoco nas pessoas erradas e que nem sonhava que aquele desabafo terminaria de forma fatal. Uma voz trêmula, um pouco indecisa, mas quase um pedido de socorro. Vanessa Bernardes é simplesmente mais uma ou uma das milhares vítimas de decepções, deslealdade e do click da morte. 

A internet não é terra sem lei, o que é sem lei e sem princípios são pessoas que não medem esforços e princípios para correr atrás de visualizações e seguidores. 

Até onde irá chegar uma sociedade doente, sem capacidade de amar, sem ver além do que os olhos podem enxergar? O que sobra hoje é uma reflexão: Quantas Vanessas já pagaram com suas vidas? Quem vai ter coragem de pedir desculpas e se arrepender?  Só o tempo dirá. 

O certo é que a sociedade está cada vez mais pobre de espírito, sentimento e consciência. 

Simplesmente transformada em um bando de medíocres, capazes de olhar apenas para o próprio umbigo, pessoas ridículas que esquecem quem são e se acham donos da verdade e no poder de ludibriar, chantagear, convencer e enganar alguém que esteja, no momento, em uma posição mais frágil. 

O click da morte se mistura com a forma que as pessoas têm usado a internet para plantar a discórdia, o ódio e a falta de compromisso com a verdade. Esse espaço já pontuou inúmeras vezes sobre o cuidado com a comunicação bem feita apurada, verdadeira e com credibilidade, pois um simples erro ou uma fake news podem se transformar em tragédia, como no caso em questão.

O recado está dado! 

Usar informações, muitas vezes sem autorização, de forma leviana, pode ser tarde demais para apagá-las por algum arrependimento. 

Os cliks são bem-vindos, mas não em troca  de tragédias e até de sangue.

Que sirva de lição!

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