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Adriana Ferreira

Graduação não é sinônimo de proteção

Por Bruno
Graduação não é sinônimo de proteção

Há cerca de duas décadas, em uma audiência preliminar, fomos surpreendidos com o caso de um médico pediatra, pai de duas crianças, acusado de violência doméstica. Ele havia espancado a esposa na presença dos filhos. No Réveillon de 2025/2026, o juiz de direito Michel Cury foi preso por ameaçar e espancar a esposa. Ah, já havia histórico de violência e, segundo a imprensa, durante a busca que culminou na prisão, foram encontradas armas sem registro e drogas na residência. O tenente-coronel Geraldo Neto foi preso na manhã de ontem pelo assassinato da esposa, Gisele Alves, também policial. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aplicou, em maio de 2025, a pena de disponibilidade por dois anos ao juiz José Daniel Dinis Gonçalves, do TJSP, acusado de agredir a esposa em dezembro de 2021 que em razão das lesões ficou internada por mais de 30 dias. Em 2023, o CNJ afastou o juiz Valmir Maurici Júnior, acusado de violência física, sexual e psicológica contra a esposa. O advogado criminalista e influenciador digital João Neto foi condenado a 4 anos e 2 meses de prisão pelo crime de lesão corporal qualificada contra a ex-companheira, Adriana Bernardo Santos.

Infelizmente tem mais

Em janeiro de 2026, a prisão do empresário Sérgio Nahas ganhou destaque na mídia. Ele assassinou sua esposa, Fernanda Orfali, em 2002, em São Paulo, e permaneceu foragido por quase 24 anos. O jornalista Marcos Eduardo Rosa dos Santos ("Repórter Sassá"), dono de uma página de notícias policiais, em junho de 2025, foi preso em flagrante em Ponta Grossa (PR) por agredir a ex-namorada. Em 2021, o promotor de justiça André Luiz Garcia de Pinho foi condenado a 22 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato de sua esposa, Lorenza Maria de Pinho, em abril de 2021.

E mais

Nesta semana, Divinópolis ficou estarrecida com a prisão do médico psiquiatra José Lúcio de Abreu Faria Júnior, por espancar sua esposa. Em relação a esse médico, desde 2016 há registros criminais de agressão contra a família, contra prestadores de serviços extrajudiciais, e até no arquipélago de Fernando de Noronha, ele conseguiu a proeza de um processo criminal. Agredir, ameaçar, intimidar e fazer uso de adjetivos pejorativos, depreciativos contra quem quer que seja que não o enxergue como divindade de que ele tem certeza que é, seja de suas relações pessoais ou não, é normal.  Ah, e não é a primeira vez que vai preso por violência doméstica. Já foi condenado por violência contra a mulher, mas pasmem, pelos crimes de vias de fato, importunação, lesão corporal no âmbito da violência doméstica e familiar e ameaça, recebeu a pena de três meses de detenção, em regime aberto, sendo substituída pelo pagamento de quatro salários mínimos. De lá prá cá, as leis endureceram, ao agredir sua companheira, o médico disse que a família dele tem dinheiro e que ele não fica preso, citando o que ocorreu da última vez que sua prisão preventiva foi revogada em três dias e sua pena de detenção convertida no pagamento de quatro salários mínimos.  Em 2012, na Grande Belo Horizonte, o empresário Dejalma Veloso assassinou a facadas sua esposa, a procuradora federal Ana Alice Miranda, dentro do condomínio de luxo onde moravam. O cantor de forró paraibano, João Lima, foi preso preventivamente após agredir sua esposa, a médica e influenciadora Rafaela Brilhante. Em julho de 2023, a delegada de Polícia Civil,  Amanda Souza, titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Cametá, no Pará, teve os filhos assassinados pelo ex-marido.

A lista é longa

Antes havia o pensamento de que a violência doméstica era coisa de periferia. A vítima normalmente era a dona de casa, sem estudos, e o marido também sem formação. Isso era o que chegava ao conhecimento público. A questão é que o silêncio e a vergonha imperavam. Esta colunista passaria dias e dias relacionando casos e mais casos em que os envolvidos são das zonas nobres das cidades, vivem em condomínios fechados, em mansões verticais. Finalmente o silêncio cessou! A delegada Amanda Souza, afirmou em entrevista à BandNews FM que viveu duas décadas em um relacionamento abusivo sem perceber. De acordo com a gerente de Políticas e Proteção às Mulheres da Secretaria Estadual da Cidadania e Justiça de Tocantins (Seciju), Flávia Martins, a dependência é um dos fatores que encadeiam outros impedimentos para a quebra do ciclo de violência. “A maioria das mulheres não denunciam seu agressor por ter uma grande dependência, tanto financeira como psicológica e emocional. Existe o medo de recomeçar e se manter sozinha, às vezes não acredita que é possível reconstruir a vida. Com isso ela acaba se submetendo a viver com seu agressor mesmo sofrendo essas violências, mas é muito importante buscar ajuda profissional para conseguir se desvincular desse ciclo de violência em que vive e encontrar força em si mesma”, concluiu. Muitas vezes as vítimas são independentes financeiramente, mas o laço da dependência emocional e psicológica as prende ao relacionamento abusivo. Junte-se a isso a culpabilização da vítima, os mitos, preconceitos e comportamentos sexistas que levam a subnotificação desse tipo de violência de gênero.

Em tempo

A violência doméstica em que a vítima é o homem também cresce, não na mesma proporção que a violência contra a mulher, mas existe e também deve ser objeto de atenção.

Violência vicária

Mulher ou o homem vítima de violência, quando há filhos, esses acabam como vítimas indiretas dessa violência. A submissão à tal experiência acaba gerando um aprendizado vicário, replicando os maus tratos aos quais foram submetidas e acabam também normalizando a violência em suas relações pessoais, profissionais e sociais. O abusador hoje, seja homem ou mulher, pode ser fruto de um ambiente familiar de violência. 

Poesia

Fica aqui um trecho de um poema da mãe, advogada, poeta, membro da Academia Divinopolitana de Letras, Patrícia Freitas Laudares

“Silêncios que gritam

Eu percebo o mundo ao meu redor

e ouço os ruídos de pessoas boas tentando transformar dor em poesia.

É um barulho manso, quase silencioso, mas ainda resiste.

A natureza também fala.

Dá sinais claros de que nós, seres humanos, ainda precisamos evoluir.”

Anistia Já!

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