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Adriana Ferreira

Kolla no Copa 

Por Bruno
Kolla no Copa 

O bairro Copacabana foi entregue em novembro de 2012 e logo depois, casos de furtos a residências, tráfico de drogas e outros tipos de violência começaram a ser registrados. O bairro, que fica a 10 km do centro de Divinópolis, à época não havia escola, posto de saúde, comércio, ou área de lazer, ou seja, foi entregue sem o básico, sem falar que o transporte público era e continua ineficiente. Os anos se passaram e pouca coisa mudou, mas durante a pandemia, o que era ruim ficou pior, principalmente para as crianças, vez que viviam pelas ruas, aprendendo o que não deveriam e pior, algumas cediam aos “encantos” da criminalidade, do tráfico de drogas.  A professora Sidneia Hermes Francelino, filha de uma costureira e de um pintor de paredes, católica, participante ativa da Pastoral da Juventude, percebeu o perigo e buscou ajuda de suas amigas, as arte educadoras Zane Santos e Mariana Bernardes e juntas decidiram oferecer atividades agradáveis e diversificadas que protegessem essas crianças e seus sonhos.  E então, no dia 16 de janeiro de 2021 nasceu o Kolla no Copa.

Pertencimento 

O projeto começou com roda de conversas com crianças e adolescentes, nas quais elas expunham seus gostos e assim, no quintal da casa da professora, em torno de 25 crianças passaram a se reunir para oficinas de dança, contação de histórias, artesanato e daí passaram a realizar atividades culturais tradicionais como Festa Junina e Carnaval. A idealizadora e as arte educadoras passaram a levar as crianças e adolescentes para conhecerem espaços públicos e privados da cidade no intuito de despertar o senso de pertencimento, de deixar claro que mesmo sendo da periferia poderiam estar e ocupar o lugar que quisessem. Além disso, passaram também a promover ações de formação para as famílias, inclusive no âmbito profissional. Nesses cinco anos de existência, as crianças e adolescentes assistidos visitaram clubes e praças da cidade, e ainda a Biblioteca Pública Ataliba Lago, a Academia Divinopolitana de Letras, a VLI, o cinema, o teatro (onde se apresentaram várias vezes, inclusive um espetáculo próprio criado e apresentado em maio de 2025), e desde a criação participam do desfile de aniversário da cidade. O quintal ficou pequeno e atualmente são 68 pessoas, entre crianças e adolescentes, distribuídos em nove oficinas (dança contemporânea, balé, breaking, teatro, artesanato, percussão, capoeira, jiu-jitsu, percussão - para escola de samba). O projeto vive de doações e de trabalho voluntário. 

Despejo

Uma beneficiária do Programa Minha Casa Minha Vida, do bairro Copacabana, se cansou das quantas vezes chegou em casa com o marido, ambos cansados após um dia de trabalho e encontraram a casa arrombada. Para agravar mais ainda a situação, a filha adoeceu e diante do quadro, a família optou por mudar para o núcleo urbano e na primeira semana ao retornarem ao imóvel, estava todo quebrado. Os vândalos invadiram o imóvel e o destruíram. Mas o que isso tem a ver com o Kolla no Copa? Pois bem, diante do ocorrido, e vendo que o projeto Kolla no Copa corria risco de encerramento devido a quantidade de crianças assistidas e o pequeno espaço no quintal da casa da professora Sidneia, a beneficiária solicitou à professora Sidneia que cuidasse do imóvel e que poderia utilizá-lo para o projeto, para não prejudicar as crianças e adolescentes,  enquanto ela cuidava da saúde de sua filha que continua em tratamento. E assim foi feito e mais de sessenta crianças estão sendo atendidas! E o que a Caixa Econômica Federal fez? Ajuizou ação de reintegração de posse sob alegação de desvio de finalidade. Ainda que o núcleo familiar teve que mudar devido aos atos de vandalismo, vez que jamais houve a preocupação com a segurança dos moradores dos bairros do Programa Minha Casa Minha Vida, e também devido aos problemas de saúde da filha, tem-se que  a função social da propriedade foi preservada. A própria Constituição Federal, Lei Magna do país, em seu  artigo 5º, inciso XXIII determina que o direito à propriedade privada não é absoluto e deve servir aos interesses coletivos, produtividade, justiça social e proteção ambiental. Exatamente a cara do Kolla no Copa que não tem verba para ser registrado e sem registro não tem como ser reconhecido como de utilidade pública.

Insensibilidade

No início de fevereiro de 2026, esta colunista teve audiência na Justiça Federal defendendo os interesses de outra beneficiária do Minha Casa Minha Vida. A Caixa Econômica Federal entrou com pedido de reintegração de posse alegando abandono do imóvel. Na verdade não houve abandono, a beneficiária teve que se ausentar do imóvel devido ao trabalho e também devido aos cuidados da mãe idosa que se encontrava doente. O próprio representante da Caixa Econômica Federal, de forma desumana disse em audiência que entre perder a casa e cuidar da mãe no meio urbano, deveria ter optado pelo imóvel, ressaltando que tal escolha poderia resultar na morte da mãe, face a distância. O cidadão que adquire uma moradia de baixa renda, do Programa Minha Casa Minha Vida QUE TEM COMO UMA DAS FUNÇÕES A INCLUSÃO SOCIAL, não tem direito a se ausentar para trabalhar e pernoitar no trabalho, não pode viajar a trabalho, não pode aceitar uma oportunidade em outra cidade, não pode cuidar de um parente enfermo. Tem que viver como se no regime penal do semiaberto: sair de manhã para trabalhar, correndo o risco de chegar e encontrar a casa vandalizada, retornar ao anoitecer e nos finais de semana recluso em casa sob pena de perder o imóvel. Ai de quem pensar ou agir diferente! Análise de cada caso, não existe. Existe somente a insensibilidade. 

Salvar ao Kolla no Copa é responsabilidade de todos nós!

CrenDeusPai!

É só o vereador  Vitor Costa (PT) se sentir “vítima” do vereador Matheus Dias (Avante) que ele dá um jeito de mexer com a secretaria municipal de Assistência Social, cujo trabalho merece todos os louros. Que canseira!

Penduricalhos

A comparação entre juízes de primeiro grau, da justiça que todo cidadão conhece e vê, com os ocupantes das cadeiras das instâncias superiores é de uma injustiça tremenda com os primeiros. Há juízes que ganham menos que seus subordinados lotados em seu gabinete e secretaria. Há os ruins? Sim, como em toda profissão, mas nunca se viu tanto juiz abandonando a carreira e pior que esses são dos bons. Ah, mais de 1/3 dos magistrados de 1º grau já passaram da hora de aposentar. Sem novos concursos, será o caos. Quem ganha com isso? Na próxima semana, dedicar-nos-emos com mais profundidade ao tema.

Anistia Já!

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