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Cláudio Guadalupe

Ler e homenagear os autores da poesia mundial

Por Bruno
Ler e homenagear os autores da poesia mundial

Meu colega de trabalho parou-me e fez a pergunta: Por que não se comemora ou se divulga mais os grandes poetas, como o Pablo Neruda? Uma questão espinhosa, sobretudo porque estamos falando do gênero muito pouco lido no país: a poesia. 

Mas, é dever dos amantes da poesia, apresentar, declamar e valorizar os grandes poetas como Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), Pablo Neruda (1904-1973), Dylan Thomas (1914-1953) , Arthur Rimbaud (1854-1891), Charles Baudelaire (1821-1867), Emily Dickinson (1830-1886), Federico García Lorca (1898-1936), Fernando Pessoa (1888-1935), Florbela Espanca (1894-1930), T. S. Eliot (1888-1965), Walt Whitman (1819-1892), entre tantos outros. Mas pelo pouco espaço que temos, vamos tratar de alguns deles.

    Vamos iniciar com o poeta maior do Chile, Pablo Neruda, que desde a adolescência escreveu obras consideradas fundamentais na língua castelhana, chegando a ganhar o Prêmio Nobel, em 1971. Na sua bibliografia há obras excepcionais como “Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada” (1924), “Canto General” (1950) e “Odas Elementares”(1954), “Cien Poemas de Amor” (1959). Poeta social, teve uma carreira ligada aos compromissos com a luta dos trabalhadores chilenos, sendo eleito senador pelo Partido Comunista do Chile e trabalhou para o país, como embaixador.

Vamos ler um dos poemas mais famosos do autor, devido ao lirismo intenso: Saudade! 

          Saudade (Pablo Neruda)

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

    

Escolhi, por questões de

gênero, a poeta mulher 

Emily Dickinson, dos 

Estados Unidos da América.

Sua vida foi pouco conhecida, 

mas ela se tornou uma das

figuras mais importante da 

literatura moderna americana. 

Jovem, viveu isolada nas terras de seus pais. E só depois de sua morte, é que veio à tona 1800 poemas que escrevera. Deles, apenas dez foram publicados em vida. Vamos saborear a sintaxe poética muito lsofrida e diferenciada da poeta, com os dois poemas abaixo.

           Não sou ninguém

Não sou Ninguém! Quem é você?
Ninguém — Também?
Então somos um par?
Não conte! Podem espalhar!

Que triste — ser— Alguém!
Que pública — a Fama —
Dizer seu nome — como a Rã —
Para as almas da Lama!

(Tradução de Augusto de Campos)

Uma palavra morre (Tradução. de Idelma R. Faria)

Uma palavra morre
Quando falada
Alguém dizia.
Eu digo que ela nasce
Exatamente
Nesse dia.

   O próximo poeta, o conheci há bem pouco tempo. É Dylan Thomas, considerado o representante da poesia pop, da geração beat, que influencia até hoje, vários poetas contemporâneos, com uma verve mordaz, crítica, elétrica, surrealista e muito lírica! Morreu muito novo (39 anos), entregue à vida boêmia e ao alcoolismo. Leiam o poema abaixo.

A mão que assina o papel

A mão que assina o ato assassina a cidade.
Cinco dedos reais taxam o ar – é a lei.
Cevam o morticínio e ceifam um país;
Os cinco reis que dão cabo de um rei.
.
A mão que manda mana de um ombro em declínio,
Cãibras deduram nós nos dedos que a cal cala.
Penas de ganso firmam o assassínio
Que pôs fim a uma fala.
.
A mão que assina o pacto traz a peste,
Praga e devastação, o gafanhoto e a fome;
Grande é a mão que pesa sobre o homem
Ao rabisco de um nome.

Os cinco reis contam os mortos, mas não aplacam
A ferida cicatriza nem acariciam a fronte;
Há mãos que regem a piedade como outras o céu;
As mãos não têm lágrimas para derramar.

CLÁUDIO GUADALUPE

Poeta integrante da ADL e do ARTEFERIA  

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