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Cláudio Guadalupe

Poesia - A Nossa Resistência Cultural IX

Por Bruno
Poesia - A Nossa Resistência Cultural IX

Claudio Guadalupe

O nosso compromisso de publicar novos autores chega à nona edição! Vamos conhecer duas novas poetas, com suas diferenças literárias, mas ambas vozes da juventude divinopolitana. E uma terceira poeta, que já a conhecemos aqui, a Jéssica Sabrina.

A primeira poeta é a jovem Yasmin D. Borges Martins, 24 anos, estudante, que como ela mesmo afirma, tem uma “obstinação de quaresma no peito, se deixa despontar na vida, mas conta com a dúvida para ter resposta. Do quê? Como a vida se faz ser vida? O homem líquido contemporâneo consegue diferenciar a tela de si mesmo? A humanidade tola, faz do seu reflexo um inimigo”. Com estas reflexões, a Yasmin nos enviou dois poemas, com uma estrutura muito contemporânea. Leiamos.

PALAVRAS 

Você!

Você!

Você!

O que sou eu? O que é você? Quem somos nós? 

A tela é eterna no tempo parado,

e se acaba com a vida corrente.

O equilíbrio é o tempo que não existe mais.

Quem deu arte à vida, para que eu não possa pensar?

COPO DESCARTÁVEL

Onde eu te coloco?

Carrego na bolsa para não deixar no chão?

Você está como o lixo do meu coração.

Te coloco na bolsa, para não sujar o mundo que me sujou.

Não te jogo no chão, para não tropeçar em você.

A bondade ultrapassa os limites.

Yasmin D. Borges Martins

A nossa segunda poeta, eu a conheci na Roda de Conversas, da Boutique do Livro, no domingo (24/08). Ela se apresentou como escritora, com vários poemas para eu ler e exemplares dos três livros já publicados. 

Ana Carla Gomes, 39 anos, nascida em Divinópolis e formada em Serviço Social. Como ela mesma afirma, dá graças porque        “encontrou na poesia uma forma de se expressar e encontrar seu lugar no mundo”. Vamos então conhecer sua verve poética.

Como é leve a rotina do dia a dia...

Para quem vive com graça e alegria...

Quem tem amigos nunca está sozinho...

Bom é conhecer pessoas ao longo do caminho...

Ter um olhar para o outro torna mais doce a jornada...

Levando um pouco de esperança para uma alma cansada...

Praticar a solidariedade, viver em harmonia...

E andar pela rua distribuindo poesia!

Ana Carla Gomes

A terceira poeta, já a conhecemos: Jéssica Sabrina, jovem, que se apresenta como poeta preta e que participou como co-autora, em mais de dez antologias. Integrou também a equipe de organização da antologia "Escrevivência: a negritude em evidência" que homenageou a ancestral viva Conceição Evaristo. Jéssica é autora do livro "Conto Versos em Prosa" e nos enviou um poema para a comemoração do Sete de Setembro, em nosso país desigual.

a (in)justiça é mesmo cega

veda os olhos

e nessa performance de corpos nus

[invisíveis]

não enxerga minha cor

o seio dessa mãe (nada) gentil

não alimenta todos os filhos

o pau brasil espanca

sequestra com falsas promessas

e abandona 

[periféricos]

as margens flácidas 

senhores da (des)igualdade

negociam vidas

comercializam o que não tem tão preço

e eu, que nem existo

pago uma conta que nunca fecha 

" brasil, mostra a tua cara"

-proclamação (da re)pública-

confesse

nesse solo sem gentilezas

a independência não passa do texto

decreto mesmo é a morte  

Jéssica Sabrina

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