Carregando clima…
Cláudio Guadalupe

Poesia Nossa de Resistência Cultural - XI

Por Bruno
Poesia Nossa de Resistência Cultural - XI

Voltamos a valorizar os poetas de nossa cidade. Poesia é um campo de resistência cultural e política. Por isso, vamos conhecer mais três poetas: Juvenal Bernardes (Juvenal Verdades), Fabiano Fuscaldi e a novata Maria José G. Gomes. 

Comecemos então pelo poeta Juvenal Bernardes, o conhecido “Nanal” (ou Juvenal Verdades). Natural de Divinópolis (MG) é um legítimo contador de histórias, mas também palhaço, ator, poeta, cordelista, escritor, editor e produtor cultural.Como contador de histórias, criou e executa o projeto “A Hora do Cordel na Escola”, com o qual já visitou mais de 200 escolas e distribuiu mais de 5 mil livros. Com as apresentações “Ô, DE CASA!” e “NA BANCA DO FOLHETEIRO”, já se apresentou em várias cidades do país.

Nos anos 1990, participou da criação do Grupo Capela (teatro) e em 2009, criou a CIA. BORANDÁ (com Sérgio Rezende), grupo que utiliza a linguagem do palhaço e teatro de rua. Vale a pena então conhecer a poética, vibrante e popular, em dois poemas, bastante líricos, do nosso Nanal.

SEGREDOS DE AMOR

Muitos segredos se escondem

Num poema de amor:

Sussurros, toques, gemidos,

Olhares, frases, pudor;

Se escondem luas e estrelas.

Borboleta, abelha e flor

Quando eu sonho 

com quem amo,

Tudo ressignifica:

O céu fica mais azul, 

Água do mar adocica,

Cheiro de chuva tem gosto

BOM DE JARARATITICA

Livre de qualquer amarra,

Viajo pro infinito;

Torres de castelo escalo,

Rios profundos visito;

Eu corro, salto e mergulho,

Eu pulo, voo e levito.

Vamos agora conhecer o poeta Fabiano Fuscaldi. É professor, revisor, tradutor, letrista de canções.  Licenciado em Letras (UFMG), especialista em História da Arte (PUC-MG) e mestre pela UFSJ. Autor de artigos científicos sobre literatura, foi revisor e organizador da “Obra completa do poeta Júlio Régis Fuscaldi”, junto ao poeta Cláudio Guadalupe. Ele já lançou os livros “Era uma vez uma saudade” (infantil), “A vocação da escrita na prosa de Cristovão Tezza” (acadêmico) e o mais recente, “Cartas a um menino” (poesia). Ocupa a cadeira 21 da ADL e a 90 da Academia de Letras, História, Genealogia da Inconfidência Mineira. 

A UM MENINO ESPICHADO

era uma vez um menino que erguia alto

os calcanhares a cada passo que dava

um dia perguntei por que andar daquele jeito

e ele, com um sorriso no canto da boca

e o dedo apontado pra cima da cabeça, respondeu:

pro meu cabelo encostar lá no teto do céu

A UM MENINO COM NARIZ 

DE PALHAÇO

com a cara assim pintada

ninguém no mundo te leva a sério

e você pode enfim ser a criança que é

com o nariz assim grande brilhante redondo

sublinhando de vermelho sua vista

você nunca há de levar o mundo a sério

e ele, domado em seu sorriso

pode então ser o que você sonhar

Por fim, uma poeta pouco conhecida, a Maria José G. Gomes. Foi educadora do sistema estadual, da 12 SRE, apelidada de “Masé”. Apresentamos seu poema forte e denunciador da contínua destruição da memória em Divinópolis. Vamos então ler?

CADÊ A CASA QUE TAVA AQUI? (fragmento)

Acabou!

Desmancharam

Quebraram toda ela.

E então alguma coisa quebrou

Em mim também!

Comigo ficou só a casa memorizada.

No chão – o espaço vazio.

Com restos do que já foi,

Moradia – pedações da casa

Farelos da robusta construção.

CADÊ A CASA QUE TAVA AQUI?

Foi desmanchada. 

Demolida. 

A casa bonita

Já não está lá.

Era registro de um tempo

E de quem apreciava

O belo, e no belo faz moradia

A senhora Cândida.

De quem via no passante daquela rua,

O cansaço ou a sede incômoda.

Casa diferenciada,

Pelo banco no passeio,

Água fresca no jardim. O banco estava lá.

Descanse nele quem precisar, quiser ou apreciar. Esta era a ideia. Cadê a casa bonita?

Cadê a senhora dona da casa?

Da casa diferenciada,

Aquela com bancos no passeio, água limpa 

e jornal no jardim...

Cadê a casa com toalhas, em trabalho artesanal

Exposto na mureta da varanda,

Pra contar a história de mãos habilidosas 

no bordado, tricô ou crochê.

E assim, o recado era dado!

Pela jornalista e educadora, CÂNDIDA.

CADÊ A CASA, GENTE?

CLÁUDIO GUADALUPE

Poeta integrante da ADL e do ARTEFERIA   

Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…