O múltiplo artista Carlos Lopes: Poeta do Carpe Diem

Divinópolis tem vários artistas que não são devidamente valorizados, pela intensidade de suas realizações e contribuições na literatura, nas artes plásticas, no teatro. Carlos Antônio Lopes Corrêa é um destes artistas! Com mais de quarenta anos de presença no cenário cultural, foi coordenador da Galeria “Petrônio Bax” (Divinópolis Clube), do Centro de Artes do Povo, na Praça do Santuário. Conhecido como Lopes, é um poeta de escrita concisa e elaborada, com cinco livros publicados. Depois, tornou-se revisor de textos, diagramador de livros e jornais, além de ilustrador e editor. Lopes é um múltiplo artista, com sua marca de humildade e sapiência. Hoje vamos entrevistá-lo e lermos, ao final da coluna, dois instigantes poemas de sua verve.
P – Lopes, como foi seu início no campo da literatura?
R – Eu me aventurei a escrever alguns ensaios de poemas, a partir da leitura dos poemas de minhas irmãs e no contato com as letras de músicas da MPB, dos anos 1970, de Caetano Veloso, Chico Buarque e dos músicos revelados pelos festivais televisivos. Comecei a ler livros de poesias de autores que se tornaram os prediletos: Cecília Meirelles, Federico García Lorca, Tagori e o Robert Frost.
P – Lopes, quando e como foi seu contato com a literatura divinopolitana?
R – Eu estudei Belas Artes na UFMG e vindo para cá, o contato com a literatura divinopolitana teve início por intermédio do professor de Cultura Brasileira, Heraldo Alvim. Agora, estamos preparando a edição de um livro, com 44 poemas de sua autoria.
Logo em seguida fui apresentado ao poeta e teatrólogo Osvaldo André, que então me convidou para participar de vários eventos literários, muitos deles realizados na Galeria do Centro de Artes, na Praça do Santuário. Em um desses encontros, conheci o jovem Camilo Lara, que me convidou para participar da publicação do DAZIBAO.
P – Como foi a experiência do DAZIBAO?
R – O DAZIBAO se manteve em atividade, mais intensamente, entre os anos 1993 a 2003, quando então colaborei como autor de poemas e diagramador. O movimento foi uma tendência de época e os eventos do DAZIBAO agregavam artistas jovens e veteranos, com maior ênfase na literatura, artes plásticas, na música e no teatro, envolvendo também profissionais do ensino acadêmico.
Publicávamos, claro, os poemas dos editores do DAZIBAO, como Adriana Versiani, Camilo Lara, Otávio Paiva e eu. Tivemos a oportunidade de publicar textos de Weverton Vasconcelos, Juvenal Bernardes, Lázaro Barreto, além de autores de outras cidades como Carlos Augusto Novaes, Marcelo Dorabela, Márcio Almeida e Ronald Polito.
P – E as suas publicações?
R – Dos cinco livros de poemas que eu publiquei o mais importante para mim, foi o Prelúdio Penetrável (1984), junto ao Camilo Lara, pois o livro me exigiu absorver conhecimentos práticos em todas as etapas da edição, incluindo o acompanhamento da montagem tipográfica.
P – Depois do DAZIBAO, quais outras participações nos movimentos literários da cidade?
R – Depois do DAZIBAO, eu pude colaborar com o grupo de poetas BARKAÇA entre 2008/2009 e empreender o projeto Caça-palavras da Literatura Divinopolitana, em seus dois fascículos.
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