Pode mudar tudo

A disputa pelo Governo de Minas está chegando à reta final com um cenário que já concentra as atenções em Cleitinho Azevedo e Patrus Ananias. A nova pesquisa AtlasIntel, divulgada nesta quarta-feira, 23, mostra o senador com 39,3% das intenções de voto e o deputado federal com 31%. A diferença, de 8,3 pontos, é menor do que a registrada pelo mesmo instituto na rodada anterior, quando era de 11 pontos.
Os números, porém, não autorizam tratar o segundo turno como uma etapa já definida. Pesquisas são retratos de momentos distintos e, nesta mesma semana, o levantamento RealTime Big Data apresentou um quadro bastante diferente em uma eventual disputa no segundo turno entre os dois: Cleitinho apareceu com 43% e Patrus com 42%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Patrus, contudo, aparece como o principal elemento de mudança na corrida. O petista cresceu na comparação com a rodada anterior da AtlasIntel, enquanto Cleitinho oscilou para baixo. No primeiro turno, os dois já concentram uma parcela muito maior das intenções de voto do que os demais candidatos. Kalil aparece com 8,3%, Flávio Roscoe com 7,3% e Mateus Simões com 5,6%.
A disputa também revela um estado dividido em diferentes realidades. Cleitinho apresenta vantagem expressiva entre eleitores evangélicos e entre os de menor renda, enquanto Patrus lidera entre mulheres, eleitores com ensino superior e agnósticos ou ateus, segundo os recortes divulgados. Esses números mostram que Minas Gerais não pode ser reduzida a uma disputa entre dois grupos homogêneos. Há diferentes interesses, experiências e expectativas convivendo dentro do mesmo eleitorado.
Há ainda um componente que não pode ser ignorado: a avaliação do governo estadual. Segundo os dados apresentados pela pesquisa, 53% desaprovam a administração de Mateus Simões, enquanto 25% aprovam. Na avaliação sobre os rumos de Minas, 53% consideram que o estado está no caminho errado, diante de 38% que enxergam uma direção positiva.
É nesse ambiente que a campanha entra em seus últimos dias. E quanto mais acirrada se torna uma eleição, maior deveria ser a responsabilidade de quem disputa o voto. A tentação de transformar a reta final em uma sucessão de ataques, provocações e frases de efeito sempre existe. Mas o eleitor mineiro precisa de mais do que uma disputa de narrativas. Precisa conhecer propostas, prioridades e, principalmente, como cada candidato pretende enfrentar os problemas concretos de Minas.
Se o resultado pode ser definido por uma diferença estreita, cada voto ganha ainda mais importância. E cada voto deveria ser conquistado com argumentos, não tratado como peça de uma guerra política.
As pesquisas podem indicar tendências, mostrar oscilações e revelar onde estão as forças e fragilidades de cada candidatura. Não podem, entretanto, escolher pelo eleitor. Até 4 de outubro, haverá campanha, debates, erros, acertos e novas informações. A disputa pode ser ferrenha, mas não precisa ser vazia. No fim, serão as urnas que transformarão todas essas porcentagens em uma escolha concreta para o futuro de Minas.
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