Poesia: Nossa resistência cultural - 2

Essa é a tarefa central do nosso projeto: abrir espaço para os poetas publicarem as visões diversas da realidade. Defendemos o direito ao acesso e a fruição da cultura, sobretudo da poesia, pela comunidade, no contato com os autores da cidade e região.
Hoje, vamos na coluna POESIA: NOSSA RESISTÊNCIA CULTURAL, teremos o professor universitário e poeta, Manuel Veronez, nascido em Araguari/MG, é docente na Uemg/Divinópolis. É autor de dois livros - “Maionese” (2016) e “Guia Prático para Viver em Paris” (2024). É integrante do Coletivo ARTEFERIA de nossa cidade. Ele enviou um belo poema dentro da tradição poema-piada, dos modernistas de 1922, ou da poesia marginal com muita crítica social.
Manuel Veronez
Vamos lá!
quebrando pedras descascando batatas fabricando roupas 18h por dia
escravidão contemporânea também é assistir BBB
manda quem tem dinheiro obedece quem é paupérrimo políticos
governam para si justiça (pra quem?) até cortarem os supersalários militares que matam
seus compatrícios
o humano demasiado humano destruidor de tudo aplaude
a humana exploração humana
A segunda participação é do poeta e contista Vivalde Brandão Couto Filho, de Bom Despacho/MG, com uma longa experiência de poesia de rua, na participação do coletivo BATE BOCA, dos anos 1970, em Rio de Jan -
neiro/RJ e atualmente, contribui com o ARTEFERIA. O autor já publicou os livros “Palavra e Pedra” (poemas e contos, 2015) e Mínimoscontos (contos, 2023).
Vivalde Brandão
Quinze pras quatro!
Você pensa que é chuva?
Não é...
São os dedos de Deus
Fazendo buracos
No horizonte cinza.
A luz passa por eles
E reflete!
Por isto, o retrato!
O terceiro poeta foi Sílvio Faria Novais, professor aposentado da rede estadual de ensino e ex-superintendente da SRE, com três livros de poesia já publicados: “Escritos Meus” (2021), “Temas que viram poemas” (2022) e o infanto-juvenil “Os exemplos que vem dos bichos” (2022). Vamos conhecer a sua poética num texto bastante lírico!
Sílvio Farias
AO VENTO
São palavras que emergem
Dentro do meu próprio ego
Talvez ninguém as escute
Por ser tudo o que nego.
Não há som nem ondas no ar
Pois o que veio chegou e parou
Quiçá tentem achar no olhar
O que eu era e o que hoje sou.
- Mas são apenas palavras?
- Não, são do peito as amarras!
O quarto poeta que publicaremos é o Mauro de Oliveira, servidor público municipal, um autêntico bardo, sublime declamador dos seus versos. Está com dois livros prontos para serem publicados e nos brindou com um poema espelhado (pode ser lido de trás para frente também).
Mauro Oliveira
ANDORINHA
Onde pousa a andorinha?
No silêncio da igreja,
Na goteira da lapinha,
Na encosta de carqueja,
Na pintura da bandeja,
No pano de cozinha.
No pano de cozinha,
Na pintura da bandeja.
Na encosta de carqueja,
Na goteira da lapinha,
No silêncio da igreja.
Onde pousa a andorinha?
CLÁUDIO GUADALUPE
Poeta integrante da ADL e do ARTEFERIA
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