Poesia: Nossa Resistência Cultural - 4

Essa é a quarta edição do Poesia: Nossa Resistência Cultural, para poetas novos. Defendemos assim, o direito ao acesso e a fruição da poesia, pela comunidade, no contato com os autores da cidade e região.
Hoje, o primeiro poeta que apresento é um estudante do 5º período, do Curso de Letras da UEMG/Divinópolis, o sensível escritor Deusdedet Boaventura Souza Junior, natural de Itapecerica, onde já publicou poemas nas redes sociais.
FANTASIA
Hoje eu acordei sem energia
Desinteressado
Vesti minha melhor fantasia
E sai sem ver o passado
Vesti uma fantasia reluzente
De se invejar a potência
Fui e sou quem queria toda gente
Menosprezei, de novo e novo, minha essência
Haja paciência
Pra fingir todo momento
Nessa prepotência
E não ser ninguém,mero fragmento
O espelho não me retém
O verbo não me descreve
Eclodir meu alguém
Desse oco que me repele
A segunda contribuição veio de um leitor assíduo da Biblioteca Pública Municipal Ataliba Lago (onde trabalho), o Carlos Roberto Peixoto, natural de Bom Sucesso (MG). Ele escreve poemas desde os seus dezesseis anos, com a velha e boa prática de escrever em cadernos, para poder guardar, secretamente, os poemas.
Ele já publicou um poema no “Jornal Passageiro” e tem um livro preparado para publicação!
CREPÚSCULO DE SANGUE
(CRP)
Às vezes olhando a tarde, comovido,
O sol a esmaecer no horizonte,
Lembro do Calvário,do pequeno monte,
E do sacrifício de meu Mestre querido...
Ensanguentado na Cruz e esquecido,
Pés e mãos cravados, baixada a fronte,
Seria no porvir, a sempiterna fonte
Para um povo gentio, desconhecido.
Dobremos pois,os joelhos,ó filhos da Cruz!
Eis que agora, o ressurreto Jesus
É nosso Rei e Mestre, nosso amado Senhor!
A tarde é o símbolo da eterna graça.
Pode vir a noite, mas a noite passa,
Para chegar um tempo de esperança e amor!
O terceiro participante de hoje é o morador de Carmo do Cajuru (MG). Charles Guimarães, um escritor já reconhecido naquela cidade, onde é professor (formado pela UEMG), lecionando em escola pública de Carmo do Cajuru. Com dois livros publicados, “Crônicas e Contos na Boca da Mata”, 2021 e “Um bilhete para Adélia Prado”, 2025, participou também em livros comemorativos sobre a cidade de Divinópolis e em antologias de contos infantis. Atualmente é colaborador no Jornal “Boca da Mata” de Carmo do Cajuru. Leiam o poema a seguir, de sua autoria.
MULHER QUE NÃO AMEI
“Estou deixando você.”
Bradou a mulher
que não amei.
“Velhos não sonham.
Aposentam e morrem.”
Continuou, impiedosa,
debaixo da soleira da porta.
Como vou viver sem sua sombra
Nos dias de sol quente?
Como vou viver sem a copa
Da sua árvore frutífera?
Sem a mina d’água cristalina
Que fluía do seu corpo
E que me saciava?
Acabrunhado e sem resposta levantei-me.
As rugas do meu rosto não revelavam nada.
Apoiado em meu cajado
Arrastei minha carcaça
E fui sonhar em outra freguesia.
CLÁUDIO GUADALUPE
Poeta integrante da ADL e do ARTEFERIA
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