A poesia libertária em Walt Whitman

Voltamos em nossa coluna a tratar da poesia universal, no caso, a do maior poeta dos EUA, Walt Whitman. Além de ser um dos meus poetas preferidos, ele marcou a poesia mundial e influenciou muitos poetas como Fernando Pessoa, Garcia Lorca, Ezra Pound, Maiakovski, Allen Ginsberg e os brasileiros Carlos Nejar, Geir Campos, Moacyr Félix e Thiago de Mello.
Walt Whitman
(31/01/1819 - 26/04/ 1892)
Os 106 anos do poeta é comemorado pelos amantes da poesia contemporânea, pois com ele, nasceu uma poesia intimista, mas democrática, de versos longos e livres, voltados para o mundo moderno, tratando das realidades das mulheres, dos homens simples, dos excluídos, dos homoafetivos, denunciando a escravidão, a guerra e as injustiças sociais.
O crítico literário Cláudio Daniel, em artigo no Portal Vermelho (Seção Cultural) aponta esta face libertária do poeta:
“A poesia de Whitman apresenta uma nova sensibilidade, baseada na compaixão pelos excluídos, no princípio de igualdade entre todos os seres humanos e no respeito à natureza, elementos que o aproximam da espiritualidade budista, do pacifismo, da ecologia e da filosofia transcendentalista de Emerson e Thoreau – este último, o criador da doutrina da desobediência civil”.
O poema abaixo é então paradigmático na poética de Walt Whitman, mostrando-o em meio ao mundo, num turbilhão de novidades e simplicidades:
EU OUÇO A AMÉRICA CANTANDO (frag.)
Eu ouço a América cantando, cantos alegres e variados ouço,
O canto dos mecânicos, cada um entoa seu canto, tal como deveria ser em júbilo e força,
O carpinteiro cantando enquanto mede sua prancha ou viga,
O pedreiro cantando quando começa o seu trabalho, ou quando o finda,
O barqueiro cantando o que a ele pertence em seu barco, o marinheiro cantando no convés do barco a vapor,
O sapateiro cantando quando senta em seu banco, o chapeleiro cantando quando está de pé,
A canção do lenhador, o do lavrador quando vai em seu caminho pela manhã, ou no descanso do meio-dia ou no crepúsculo,
O canto delicioso da mãe, ou da jovem esposa no trabalho, ou da garota costurando ou lavando...
Em sua juventude, Whitman trabalhou como aprendiz de tipografia, no bairro do Brooklyn, em Nova York; e depois, foi carpinteiro, impressor, professor, editor e jornalista. Entre 1863-1864, serviu em Washington como enfermeiro voluntário em hospitais militares, conhecendo os horrores da Guerra Civil, onde sofreu e o inspirou em muitos de
seus poemas. O poeta conseguiu publicar, com recursos próprios, o seu único livro, FOLHAS DE RELVAS, com longos poemas líricos e em defesa de suas utopias. Todos os estudiosos da obra ressaltam a voz inovadora de Walt Whitman, poeta cantor da democracia e da liberdade, como no poema que leremos a seguir.
POR TI, Ò DEMOCRACIA
Venha, farei o continente indissolúvel,
Farei a mais esplêndida raça sobre a qual o sol já brilhou um dia,
Farei divinas terras magnéticas,
Com o amor dos camaradas,
Com o amor de longa vida dos camaradas.
Plantarei o companheirismo spesso como árvores ao longo de todos os rios da América e ao longo das praias dos grandes lagos, e por todas as pradarias,
Farei cidades inseparáveis, cada uma com os braços em volta do pescoço, uma das outras,
Pelo amor de camaradas,
Pelo másculo amor de camaradas.
A ti, isto de mim, Ó Democracia, a fim de servi-la ma femme!
A ti, a ti estou vibrando estas canções.
Cláudio Guadalupe
Poeta integrante da ADL e do ARTEFERIA
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