Poesia: Nossa Resistência Cultural - V

Com essa nova edição do projeto Poesia: Nossa Resistência Cultural, esperamos manter a publicação de poetas novos da cidade e da região, cumprindo o papel do acesso e da fruição da poesia, pela comunidade, no contato com os autores.
Hoje, o primeiro poeta é o pedagogo Anderson Ribeiro de Oliveira Santos Silva, do Cefet- Campus Divinópolis, Doutorando em Educação, ele realiza o projeto de Coordenação de Desenvolvimento Estudantil do Cefet Anderson teve um aprendizado poético com o escritor Márcio Almeida, da cidade de Oliveira/MG, quando desenvolveu o gosto pela poesia, ligada à sua prática educacional, como no poema abaixo.
DIS CENTE
Falta ar,
Treme, treme tudo.
Um balanço na pele
que vem de dentro.
Só vem. Incontrolável!
Vem do medo?
Mas medo tem de quê.
Fica rápido.
Trabalho, tempo, limbo.
E se não der? E se não for?
Não dou conta, é muito! É?
E a nota?
Alguém nota?
Sempre anota?
Quero. Posso?
Dúvida. Dívida. Dúvida?
Faltar faz parte!
Falta-se ar, faz-se arte!
A segunda contribuição é da artista múltipla (poeta, dançarina) que vem despontando em nossa cidade, Clara Valverde. Formada em Letras pela UFSJ, vem trabalhando a linguagem como forma de re-existência. Em 2025, lançará o livro de poemas “O som das fechaduras” (Mondru Editora). Usa os perfis @cla.ri.vi.den.cia e @Clara. Valverde para publicar seus trabalhos. Vamos nos aproximar da sua poética, com dois poemas abaixo. São poemas fortes, mas com uma delicadeza na escolha das palavras e imagens!
TESSITURA
Bem aventuradas sejam
as linhas que escreves
aos pobres mortais
e abrem seus olhos
com surpresa alívio
suspiros estalos e ais
letras e imagens
sentidos e vazios
retalhos amarguras
costuras alinhavos
enredos e enlaces
carnais
infinitas escrituras
fonte de vida tecida
no meio de vendavais
CANCELAMENTO
Inflamei vozes antepassadas
leitura parcial que fiz
e fui condenada a carregar
sangue derramado
disseram que nem pintada
me querem mirar
sou a cara maldita
de quem os feriu
que faço pactos vis
com o que leviano
me parece
e não me coube apontar
fui pesada e medida
como quaisquer
que nunca terão coragem
de se expor
por medo
de que atropelados sejam
e que ninguém seus egos
para cima
pois deixo jogarem
o que necessário for
me abro me estico
me lanço ao infinito
me reformo
saio em busca
dou passos pra trás
e pra frente
numa nova dança volto
pronta
para ver
melhor
Quando te baterem na face
ofereça a outra.
CLÁUDIO GUADALUPE
Poeta integrante da ADL e do ARTEFERIA
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