Poesia: nossa resistência cultural VI

Nesta sexta edição do projeto POESIA: NOSSA RESISTÊNCIA CULTURAL, leremos novos autores da poesia divinopolitana. São poetas que confirmam uma das características da poesia contemporânea: a diversidade das vozes. Presentes a voz da negritude, a voz musical e a voz filosófica desses nossos poetas.
O primeiro autor é Davi Santos, um rapaz com alma de músico, instrumentista, maestro e professor de música do Instituto ÁGAPE. Sensível, tem uma escrita de fundo espiritual e filosófico. Vamos conhecer seu texto para aproximarmos de sua poética.
FOLHAS
Sopra vento jubiloso,
vai de encontro ao espírito peregrino
Sopra folhas esparsas no espaço
vai de encontro ao coração menino
O vento sopra sem saber de onde vem,
pra onde vai
Espírito livre segue firme contempla a vida
Em busca sempre de algo mais
Com alegria e ventura,
Folhas em branco a cada dia
Mãos firmes ao cálamo,
Papel de nova e densa gramatura
Folhas livres, espírito livre, vivem, o espírito vive
De ocaso a ocaso, o arbítrio livre o destino dirige
Segue a vida com arrojo e afoiteza,
Convicto da vindoura conquista
Da ventura plena como certeza.
A segunda participação é da jovem Jéssica Sabrina, que tece nos seus versos os interiores e os infinitos de uma poeta mineira. Graduada em Administração, MBA em Gestão de Pessoas e Pós-graduanda em Departamento de Pessoal e Relações Trabalhistas, é coautora em mais de dez antologias. Participou da organização da antologia "Escrevivência: a negritude em evidência" que homenageia a ancestral viva Conceição Evaristo e é autora do livro "Conto Versos em Prosa". Mulher preta, busca descolonizar a palavra-afeto e tem como constante, a [r]evolução. "Amar é revolucionário!", sempre afirma. Leiam nos poemas abaixo, o lirismo aflorado da poeta.
nos vãos do meu olhar
- frestas da alma -
escorre a tinta preta
que me pigmenta
e se mistura
aos sentimentos
que me colorem
poesia
E ela tece a voz negra contagiante, em versos curtos e denunciantes,
palavra é cura
herança
fala, gesto, canto
dengo da trança
o grito grafado é sussurro ancestral
por Maria Firmina, Lélia,
por Beatriz, Carolina
e pela ancestral viva, Conceição
amparada por Benguela
ouço avós que Nina
rasgo o ver(s)bo por sobre / vivência
alforria poética incomoda a casa-grande irrita, mas é, da regra, rara exceção
Ângelas e panteras
existo, porque minhas irmãs resistiram
resisto para inspirar escrevivências
troquei correntes por livros
é livre a vida que carrego nas mãos
Por fim, voltamos a apresentar o pedagogo Anderson Ribeiro, do CEFET, com seus textos enigmáticos e um discurso desmistificador. Espero que vocês gostem da sua verve!
Grande teia.
Rede do mundo.
Rede só-cial.
Fato?
Fake?
Fucô panóptico!
Sociedade do ESPETAÇO!
O espetáculo espeta!
Fura, “desmancha no ar”...
...as gente, os mato, os pet, as moda.
Nuss, atravessou!
Fato! Fake!
Fróidi espinica!
E pra dar conta?
Tem que TER... cont@.
Mas e o be or not to be?
Só o Ney. Do mato, grosso, seco, molhado.
Incrível, perturbador.
Como espetáculo que Per-fura o tempo!
Escorrendo a arte...
...que falta nas moda, nos pet, nos mato...
...nas gente em toda parte.
CLÁUDIO GUADALUPE -Poeta integrante da ADL e do ARTEFERIA
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