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Cláudio Guadalupe

Poesia: nossa resistência cultural VI

Por Portal Agora
Poesia: nossa resistência cultural VI

Nesta sexta edição do projeto POESIA: NOSSA RESISTÊNCIA CULTURAL, leremos novos autores da poesia divinopolitana. São poetas que confirmam uma das características da poesia contemporânea: a diversidade das vozes. Presentes a voz da negritude, a voz musical e a voz filosófica desses nossos poetas. 

O primeiro autor é Davi Santos, um rapaz com alma de músico, instrumentista, maestro e professor de música do Instituto ÁGAPE. Sensível, tem uma escrita de fundo espiritual e filosófico. Vamos conhecer seu texto para aproximarmos de sua poética.

FOLHAS 

Sopra vento jubiloso,

vai de encontro ao espírito peregrino

Sopra folhas esparsas no espaço 

vai de encontro ao coração menino

O vento sopra sem saber de onde vem, 

pra onde vai 

Espírito livre segue firme contempla a vida 

Em busca sempre de algo mais 

Com alegria e ventura, 

Folhas em branco a cada dia 

Mãos firmes ao cálamo,

 Papel de nova e densa  gramatura 

Folhas livres, espírito livre, vivem, o espírito vive 

De ocaso a ocaso, o arbítrio livre o destino dirige 

Segue a vida com arrojo e afoiteza, 

Convicto da vindoura conquista 

Da ventura plena como certeza.

A segunda participação é da jovem Jéssica Sabrina, que tece nos seus versos os interiores e os infinitos de uma poeta mineira. Graduada em Administração, MBA em Gestão de Pessoas e Pós-graduanda em Departamento de Pessoal e Relações Trabalhistas, é coautora em mais de dez antologias. Participou da organização da antologia "Escrevivência: a negritude em evidência" que homenageia a ancestral viva Conceição Evaristo e é autora do livro "Conto Versos em Prosa".  Mulher preta, busca descolonizar a palavra-afeto e tem como constante, a [r]evolução. "Amar é revolucionário!", sempre afirma. Leiam nos poemas abaixo, o lirismo aflorado da poeta.

nos vãos do meu olhar 

- frestas da alma - 

escorre a tinta preta 

que me pigmenta 

e se mistura 

aos sentimentos 

que me colorem 

poesia

E ela tece a voz negra contagiante, em versos curtos e denunciantes,

palavra é cura

herança

fala, gesto, canto

dengo da trança

o grito grafado é sussurro ancestral

por Maria Firmina, Lélia,

por Beatriz, Carolina 

e pela ancestral viva, Conceição

amparada por Benguela 

ouço avós que Nina 

rasgo o ver(s)bo por sobre / vivência

alforria poética incomoda a casa-grande  irrita, mas é, da regra, rara exceção

Ângelas e panteras 

existo, porque minhas irmãs resistiram

resisto para inspirar escrevivências

troquei correntes por livros

é livre a vida que carrego nas mãos

Por fim, voltamos a apresentar o pedagogo Anderson Ribeiro, do CEFET, com seus textos enigmáticos e um discurso desmistificador. Espero que vocês gostem da sua verve!

Grande teia.

Rede do mundo.

Rede só-cial.

Fato? 

Fake?

Fucô panóptico!

Sociedade do ESPETAÇO!

O espetáculo espeta! 

Fura, “desmancha no ar”...

...as gente, os mato, os pet, as moda.

Nuss, atravessou!

Fato! Fake! 

Fróidi espinica! 

E pra dar conta?

Tem que TER... cont@.

Mas e o be or not to be?

Só o Ney. Do mato, grosso, seco, molhado.

Incrível, perturbador.

Como espetáculo que Per-fura o tempo!

Escorrendo a arte...

...que falta nas moda, nos pet, nos mato...

...nas gente em toda parte.

  CLÁUDIO GUADALUPE -Poeta integrante da ADL e do ARTEFERIA                                                                        

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