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Política

Print é ouvido no MP e líder do governo pretende convocar assessor ao Plenário

Por Portal Agora

Matheus Augusto

Afastado da Presidência da Câmara, Eduardo Print Jr (PSDB), foi ouvido ontem pelo Ministério Público (MP) pela primeira vez desde a busca e apreensão, na última quinta, em sua residência. Em entrevista ao Agora, ele voltou a se defender das acusações e afirmou que, nas mais de 300 páginas da investigação às quais teve acesso, não há indícios de sua participação em corrupção, tendo sido apenas citado. 

O vereador também alega que o prefeito Gleidson Azevedo (Novo), autor da denúncia, questionava seu nome constantemente aos empresários, enquanto gravava os encontros, na tentativa de induzir sua participação em possíveis crimes. 

— O prefeito tenta enfiar meu nome em todas as denúncias (...). Eu fiquei um pouco surpreso de ser alvo dessa operação do modo que eu fui alocado dentro dela por falas de terceiros, sem provas. Não tem uma gravação minha exclusiva falando de dinheiro, de nada; não tem nenhuma gravação minha ligada diretamente aos empresários pedindo qualquer tipo de vantagem para mim próprio — afirmou. 

Também citou que, em seus 12 anos de política, protocolou apenas seis projetos de alteração de zoneamento. 

— E não pedi nada em troca. Pelo contrário, o que eu buscava era justiça de poder ajudar aqueles empresários a funcionarem seus negócios que já funcionam irregularmente naqueles locais — justificou.

Em sua opinião, houve uma tentativa de Gleidson em inseri-lo na denúncia, questionando nas gravações se o Print teria participações nas suspeitas de corrupção. Print reforçou que, nas gravações, “não conseguiram chegar a uma ligação sequer que me ligue à corrupção, senão eu estava afastado da vereança”.

— No meu entendimento pessoal, vi que o prefeito armou essa cena toda, esse circo todo, porque ele é um mitomaníaco, ele precisa de tratamento. (...) Ele gosta de ser vangloriado. (...) Quero ser transparente em todos os fatos, mas minha honra não pode ser comprometida pelo achismo de um mitomaníaco. (...) me difamar sem ter um milímetro de prova contra mim. É notório e claro o tanto que o prefeito tenta colocar meu nome na boca das pessoas que ele está gravando: ‘Mas e o Print?’ — criticou. 

Segundo ele, apesar de apenas seu nome e de Rodrigo Kaboja (PSD) terem sido alvos da operação, outros vereadores também são citados pelo prefeito, inclusive da base.

— Ele mostrou, mais uma vez, não ser leal. O Kaboja era o maior puxa-saco do prefeito na Câmara, ia lá todos os dias e olha o que fez com ele. 

Em sua avaliação, a atitude do prefeito prejudica, inclusive, o apoio dos empresários nas ações da Prefeitura. 

— Quem mais pede dinheiro aos empresários é o prefeito [para calçamento, reformas etc]. (...) O empresário ajuda de bom grado. Agora, qual empresário vai ter coragem de sentar na Prefeitura com o prefeito, sabendo que está sendo gravado? — questionou. 

Por fim, Print comentou o Projeto de Lei 061/2021, do Executivo, que atualiza a regulamentação das regras de Uso e Ocupação do Solo. Apesar de avaliar a proposição como “boa”, o vereador contou que o texto precisa de ajustes, a pedido do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon). A expectativa é de mais de 200 emendas, o que poderia inviabilizar o texto. 

— O problema é que ele afeta toda a cidade. (...) É um impacto muito grande votar como está. (...) O projeto é bom, precisa de ajustes. Só que a Prefeitura vai aceitar? — finalizou. 

Edsom

Para o líder do governo na Câmara, Edsom Sousa (Cidadania), Divinópolis vive uma “crise moral”. O vereador aproveitou a tarde de ontem para coletar assinaturas dos colegas no intuito de que seja lido, na tarde de hoje, o Requerimento 246/2023. O objetivo é convocar o assessor especial Fernando Henrique, após sua série de entrevistas ao lado do prefeito Gleidson Azevedo (PSC), para detalhar a denúncia. O encontro, caso confirmado, será aberto ao público. 

Edsom deseja esclarecer sobre o caso, o nome dos edis e empresários envolvidos, dos projetos sob suspeita, dos valores potencialmente negociados e demais informações. 

— Estamos vivendo um dos momentos mais difíceis. (...) A pior crise moral de Divinópolis. (...) O povo está triste. Se tem essa manobra, as pessoas têm que esclarecer, revelar o nome dos vereadores e empresários. A sociedade quer uma resposta rápida — justificou. 

Vereador mais experiente da Câmara, Edsom lamenta o atual cenário da constante troca de acusações. Em sua avaliação, “quem grita mais, denuncia mais, posta mais coisa” acaba tendo mais visibilidade, deixando de lado atribuições importantes atreladas à administração pública. 

— O que virou Divinópolis? As pessoas estão assustadas. (...) Está virando brincadeira — exclamou.

Durante entrevista ao Agora na sexta, o assessor Fernando Henrique falou sobre o Projeto de Lei que atualiza a regulamentação de Uso e Ocupação do Solo. O texto, em tese, evitaria a necessidade de alterações pontuais de zoneamento, aprovadas com frequência no Legislativo. Conforme consta no site da Câmara, aguarda-se, desde fevereiro deste ano, os pareceres da Comissão de Administração Pública, Infraestrutura, Serviços Urbanos e Desenvolvimento Econômico e da Comissão de Justiça, Legislação e Redação.

Edsom fez coro à fala do assessor, destacando que a proposição está há dois anos na Câmara. 

— Se ele for votado, com toda certeza, numa visão técnica e racional, resolverá muito, mas essa questão ainda não foi pautada. 

O vereador informou ter formulado um pedido para incluir o texto o mais breve possível na Ordem do Dia. 

— Ele não pode ficar nessa situação. (...) Um projeto que, agora em julho, vai completar dois anos. Isso é um fato que eu concordo e temos trabalhado politicamente para que esse projeto seja apreciado. 

Prefeito

O prefeito Gleidson Azevedo (PSC), autor da denúncia, concedeu entrevista ao Agora na última sexta-feira. Na oportunidade, ressaltou que diversas informações sobre o caso seguem em segredo de Justiça e, por ora, não podem ser reveladas a fim de preservar a integridade das investigações. 

Ele pediu apoio à população.

— Esse é um momento histórico. A cidade vai viver, agora, um outro momento depois dessa denúncia. A gente precisa moralizar esse país e mostrar que certo é certo e errado é errado — avalia.

O chefe do Executivo vê a suspeita de corrupção como prejudicial à cidade em vários aspectos, entre eles a abertura de novas empresas. 

— As grandes vítimas dessas situações são os empresários. (...) Em vez do poder público abraçar o empresário e abrir as portas, o Legislativo cobrava dinheiro para fazer zoneamento — acusa.

Gleidson explicou que a denúncia foi levada ao MP em meados do ano passado, após receber, diariamente, relatos de empresários e vereadores.

— Tendo esses relatos dessa propina, para eu poder me resguardar e, futuramente, se viesse uma denúncia, eu tinha como provar que nunca participei de nada. Eu simplesmente denunciei para me resguardar — argumentou.

Fernando Henrique explicou, ainda, que o prefeito não tem o poder de ordenar os órgãos de justiça e segurança a cumprir mandados de busca e apreensão.

—  Não é uma denúncia simplesmente que faz o Ministério Público, a polícia e o judiciário, determinar que órgãos policias batam na porta das casas das pessoas. Denunciar qualquer um pode. O prefeito foi denunciado pela CPI da Educação por três vezes e em todas as investigações foram arquivadas. Nem polícia, Ministério Público ou judiciário bateram na casa dele — argumentou. 

Assim, “falar em perseguição é tirar completamente a credibilidade dos órgãos”, acrescentou.

Segundo o assessor, são diários os pedidos de cidadãos na Prefeitura por alteração de zoneamento. Cada solicitação passa por uma avaliação técnica do setor responsável. Em caso de negativa, os requerentes procuravam a Câmara e, mediante pagamento, aprovavam projetos de lei para autorizar suas demandas, relatou Fernando sobre os indícios.

— Os vereadores atropelaram os pareceres — citou.

O prefeito também destacou o projeto em trâmite na Câmara há dois anos, que poderia ter evitado tal situação. 

— Não tem explicação porque esse projeto está parado, é para poder resolver todo o problema da cidade.

O assessor também defendeu o projeto, reforçando o malefício de se votar isoladamente e em “retalho, em varejo”, alterações de zoneamento. 

Print

Na primeira reunião após a divulgação do caso, horas após o cumprimento do mandado de busca e apreensão em sua residência, Print presidiu, ao menos temporariamente, sua última reunião como presidente da Câmara. Ele acatou o pedido do Ministério Público para se afastar da atribuição devido à investigação de suspeita de corrupção, envolvendo ele, o vereador Rodrigo Kaboja (PSD), uma servidora e três empresários. Enquanto Kaboja foi afastado da função de vereador, Print deixou apenas a Presidência, se mantendo como edil. 

Durante seu discurso, afirmou que jamais recebeu qualquer benefício para aprovar projeto de lei e se disse surpreso com a denúncia ter sido aceita contra sua pessoa sem qualquer embasamento.

Ele voltou a reforçar estar à disposição da Justiça para prestar todos os esclarecimentos necessários e vê a atual situação como uma retaliação política do prefeito Gleidson Azevedo (Novo), já visando o pleito do próximo ano.

— Covardia — definiu.

Print destacou que o projeto de lei em suspeita pelo MP seguiu todo trâmite legal, tendo recebido pareceres favoráveis nas comissões e aprovado pelos vereadores. Ele apenas sancionou o texto após esgotar-se o prazo do prefeito para vetar ou sancionar o texto, uma vez que não houve resposta. 

 Ao fim, garantiu que "a verdade da CPI da Educação virá à tona" e espera retornar, em breve, à liderança do Legislativo.

— Agora, eu vou para cima. Obrigado, me afasto da Presidência e espero voltar em breve.

Ao deixar a Tribuna, ele foi aplaudido e abraçado pelos colegas. O então vice-presidente, que agora assume os trabalhos como presidente em substituição, Israel da Farmácia (PDT), chorou.

Kaboja

Desde a operação, Rodrigo Kaboja (PSD) não apareceu publicamente para se defender. Em sua única menção ao caso, através das suas redes sociais, ele anunciou acatar a decisão judicial de se afastar, pelo período de 180 dias, de suas atribuições de vereador. 

— Rodrigo Kaboja se encontra à disposição da Justiça para prestar os esclarecimentos necessários — comunicou.

 

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