Quem conhece o poeta Félix de Athayde?

O Brasil tem a horrível prática de esquecer seus heróis, suas personalidades, e sobretudo, os seus escritores...Quem de nós já ouvir falar do poeta Félix de Athayde?
Quero apresentar esse poeta nordestino (Olinda / PE). Amigo pessoal e de trabalho de outro grande poeta, João Cabral de Melo Neto, o jornalista e escritor Félix de Athayde pode-se afirmar, foi um dos grandes poetas da literatura contemporânea!
Como jornalista, contribuiu nos jornais “Última Hora”, “Tribuna da Imprensa”, “Jornal do Brasil”, “O Globo”. Mas, como militante aguerrido da cultura, escreveu também nos jornais alternativos “Opinião” e “O Pasquim”, além de contribuir com a revista “Civilização Brasileira” e a “Tempo Brasileiro”. Como militante, simpatizante do Partido Comunista, foi integrante do Centro de Cultura Popular – CPC da UNE (União Nacional do Estudantes), com outro poeta de cunho social, o Moacyr Félix. No CPC, participou da publicação do “Violão da Rua”.
Além disso, realizou uma carreira nas embaixadas de Barcelona, Madri, Sevilha, Marselha, em companhia do cônsul João Cabral de Melo Neto.
Publicação do CPC da
UNE – “Violão de Rua”
É no “Violão de Rua” que tiraremos o famoso poema “Ah! América”, que ainda cabe muito bem na realidade de hoje! Leiamos!
América do Norte:
América rapina.
América da morte:
Jornalista Félix de Athayde
América Latina.
América do Norte:
América que come.
América de carga:
América que paga.
América do Norte:
América do muito.
América do povo:
América do polvo.
América do Norte:
América do tudo.
América sugada.
América do nada.
América do Norte:
América padrão.
América do pobre:
América sem pão.
América do Norte:
América patrão.
América Latina:
Começa a dizer NÃO.
Félix de Athayde é reconhecido como um poeta diverso, que escreveu desde os poemas populares (o cordel), o poema concreto e o poema práxis (vanguardas na poesia brasileira), o poema minuto, os dísticos e os Hai Kai, além de poemas extensos de linguagem elaborada, muito lírica. Vamos conhecer mais a sua poética.
Entre seus poucos livros publicados, o “Pátria que me Pariu”, é o mais politizado, chamado, por ele mesmo, de poemas panfletos. Leiamos este fragmento de um dos poemas daquele livro.
“Brasil
pátria que me pariu
de generais generosos com os trustes!
de políticos polidos pelos trustes
de cardeais cordiais com os trustes
A pátria amarga idolatrada
Salve-me salva-te” ...
Mas agora, vejam o lirismo empregado no Poema “Agora que sou homem”, do mesmo livro.
“quando eu era planta
pinicava
quando eu era chuva
molhava
quando eu era rio
transbordava
quando eu era fogo
queimava
agora que sou homem
grito”
Por fim, vamos entender os chamados Poemas Minuto, poemas que carregam uma crítica social mordaz. Vejam.
“Os generais fabricaram
arma de guerra beleza,
que – bum! – elimina os pobres
e deixa intacta a pobreza”

*
“O que é, o que é
que sempre escreve
nunca o que deve,
pois não encontra,
a palavra certa?
- O poeta.
*
“Os filhos que eu tive, vivem
O que serão, serei”.
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