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Cláudio Guadalupe

Ler livros - O exemplo é que conta!

Por Portal Agora
Ler livros - O exemplo é que conta!

Cláudio Guadalupe

Na biblioteca municipal, os pais vivem reclamando que os filhos não leem nada. Mas sabemos que, pedagogicamente, o gostar de leitura é uma prática contínua, centrada no exemplo dos pais e educadores (que devem ler no seu cotidiano). E podem também criar momentos prazerosos de contação de histórias e leitura, junto a eles.

Meus pais diziam: se quer escrever bem, leia bastante. E me obrigavam a ler, quando estava nos anos iniciais, da EE Padre Matias Lobato. E li mesmo, toda a coleção de Monteiro Lobato da escola. Para a minha mãe é que fiz o poemeto a seguir, agradecendo pelas leituras em casa:

POEMINHA QUINTANEANO

Não sei como começou

Deram-me um lápis, borracha e papel de pão

Incendiaram-me com o beijo

Andei pelas ruas, pela sala, quarto

guetos e livros

E hoje dilacerado escrevo

vasto em mim.

A ideia de hoje, na nossa coluna, é que partindo de exemplos de meus pais, meu microcosmos, discutirmos como fazer os meninos lerem. Tarefa difícil, mas possível, mesmo num país onde se lê muito pouco, com a média de 4,5 livros por ano, para cada pessoa!

Meu pai, que teria 104 anos, se vivo fosse (nascido em 24/01/1918), é o exemplo da tese aqui defendida: a presença dos pais e educadores, para se criar o hábito da leitura. 

Além da formação militar, major do exército, ex-combatente da FEB, da II Guerra Mundial,

ele tinha também a predileção pelos esportes (organizador de jogos estudantis, olimpíadas, professor de educação física e iniciador de jogos de tênis na cidade) e pela leitura. 

O conhecido Major Guadalupe, foi um exemplo presente em minha vida: tinha uma ampla biblioteca, com o destaque da enciclopédia “Tesouro da Juventude” (quantas horas passava lendo aquele tesouro!), a coleção das revistas Seleções Reade´s e as obras completas de autores como Dostoievski, Jorge Amado etc. E ele lia todos os dias os seus livros de cabeceira! Quantas vezes víamos nosso pai lendo, seja na poltrona, seja no banheiro! Foi realmente um incentivador para a nossa experiência de leitores contumazes.

Major Guadalupe

Já a minha mãe, Dona Neusa, da EE Padre Matias Lobato, teve outra influência sobre os filhos. Além de obrigar a leitura cotidiana e a feitura dos deveres de casa, ela tinha uma vida cultural muito forte, com idas semanais ao cinema, aos teatros, e shows de MPB. Quantas vezes, ela em cartas, para mimmandava poemas de Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeiras, fazendo suas observações literárias! Ela me fez gostar da poesia.

Mas o gosto pela leitura precisa também da intervenção dos educadores, as escolas são fundamentais para o letramento literário. E existem vários caminhos para levar nossos filhos ao mundo dos livros. E o primeiro, como já disse, é a criação de um momento de leitura nas salas de aula, para releituras e trocas de observações.

Outro caminho é levar livros, de acordo com os interesses dos educandos, as suas preocupações, e para isto existem coleções fundamentais. A Série Vaga Lume, uma coleção de livros brasileira voltada para o público infanto-juvenil, de 1973, da editora Ática, com 43 autores, tendo livros como A Ilha Perdida, Açúcar Amargo e outros. 

Mas para gostar de ler poesia, as escolas públicas receberam do FNDE / MEC, autores nacionais, com uma qualidade invejável. São livros como “Na onda dos versos” (poesia contemporânea), “Palavra de Poeta” e “Um poema puxa o outro”.

Na literatura infantil, a poesia pode chegar aos nossos filhos pelos livros da Ruth Rocha, Roseana Murray, a Cecília Meireles, Vinícius de Moraes, Ronaldo Couto, Manoel de Barros, Mário Quintana, José Paulo Paes, Roseana Murray e Sérgio Capparelli, Hilda Hist e outros.

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