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Editorial

Quem joga esse jogo? 

Por Bruno
Quem joga esse jogo? 

A Copa do Mundo é um dos raros momentos em que um planeta inteiro parece olhar para o mesmo lugar. Pessoas de diferentes ideologias, religiões, classes sociais e nacionalidades se unem por um gol, uma defesa ou um simples apito final. O futebol tem esse poder raro: por alguns minutos, ele consegue fazer milhões de pessoas sentirem a mesma emoção ao mesmo tempo. Talvez seja exatamente por isso que o esporte também se torne tão atraente para quem deseja algo além do jogo.

Em pleno Mundial, a notícia de que o FBI investiga movimentações de mais de US$ 300 milhões envolvendo a Federação Argentina é mais um lembrete de que, muitas vezes, o futebol é usado como palco para interesses que nada têm a ver com a paixão das arquibancadas. As suspeitas de lavagem de dinheiro e fraude ainda serão apuradas e todos os envolvidos têm direito à ampla defesa. Mas o simples surgimento de uma investigação desse tamanho, durante a maior competição esportiva do planeta, já produz um sentimento conhecido pelo torcedor: a decepção.

O futebol deveria ser sobre gols, não sobre milhões de dólares de origem suspeita. Infelizmente, não é a primeira vez. O esporte mais popular do mundo tem um longo histórico de escândalos. Na própria CBF, ex-dirigentes foram investigados, presos e afastados ao longo das últimas décadas. Na Fifa, denúncias de corrupção abalaram a credibilidade da entidade. E, agora, até a interferência política parece ganhar novos capítulos.

Quando se fala que o futebol une as pessoas, também é preciso lembrar que ele movimenta dinheiro, poder e influência. E onde existem essas três coisas, quase sempre surgem interesses que tentam se aproveitar da paixão coletiva.

O problema é que o torcedor nunca entra nesse jogo. Ele compra a camisa, pinta o rosto, acorda de madrugada para assistir a uma partida, comemora uma classificação e sofre com uma eliminação. Ele acredita que está vivendo apenas o esporte. Mas, muitas vezes, nos bastidores, outros campeonatos estão sendo disputados. E esses não têm nada de esportivos. 

A Copa do Mundo deveria ser um momento de celebração. Um período em que o futebol lembrasse ao planeta sua capacidade de unir pessoas tão diferentes. Mas notícias como essa mostram que, para alguns, até a paixão de bilhões de torcedores pode se transformar em oportunidade para negócios obscuros, disputas de poder e interesses particulares.

O futebol continua sendo um patrimônio emocional das pessoas. Talvez por isso mesmo precise ser protegido de quem insiste em tratá-lo apenas como uma ferramenta de influência. A camisa de uma seleção, o escudo de um clube ou a emoção de uma Copa do Mundo valem muito mais do que qualquer cifra. E a paixão do torcedor merece respeito.

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