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Editorial

O jogo mudou

Por Bruno
O jogo mudou

As eleições ainda parecem distantes para muita gente. Não há santinhos nas ruas, jingles nos carros de som ou debates na televisão. Mas, oficialmente, o processo eleitoral já entrou em uma nova fase.

Desde o último sábado, passaram a valer as restrições do chamado período de defeso eleitoral. A partir de agora, a administração pública passa a seguir regras mais rígidas. Publicidade institucional é limitada, inaugurações deixam de contar com pré-candidatos, contratações sofrem restrições e até os sites oficiais precisam ser adaptados para evitar qualquer tipo de promoção pessoal.

Pode parecer apenas um conjunto de exigências burocráticas. Mas há um motivo importante por trás delas.

As regras existem para preservar o equilíbrio da disputa eleitoral. Afinal, quem ocupa um cargo público naturalmente possui mais visibilidade do que quem está fora da administração. Limitar o uso da máquina pública durante esse período é uma forma de reduzir essa desigualdade e garantir que o debate eleitoral aconteça em condições mais justas.

Isso não significa que o poder público deixe de funcionar. Obras continuam, serviços seguem sendo prestados e decisões administrativas permanecem acontecendo. O que muda é a forma como essas ações podem ser divulgadas e conduzidas até o fim do processo eleitoral.

Ao mesmo tempo, começa também uma fase de maior responsabilidade para quem pretende disputar um mandato. Cada declaração, cada publicação e cada ato passam a ser observados com atenção redobrada pela Justiça Eleitoral, pelos adversários e pela própria sociedade.

Mas talvez a principal mudança não seja para os candidatos. Ela é para o eleitor. Nos próximos meses, as redes sociais serão tomadas por informações, promessas, discursos, vídeos, pesquisas e opiniões de todos os lados. Nem tudo será verdadeiro. Nem tudo será falso. Separar uma coisa da outra exigirá atenção, senso crítico e disposição para verificar antes de compartilhar.

A democracia não depende apenas de regras para candidatos. Ela depende também de cidadãos bem informados. É justamente por isso que o período eleitoral merece ser visto como um momento de responsabilidade coletiva. Não é apenas a fase em que partidos escolhem seus candidatos ou em que a propaganda ganha força. É o período em que o debate público precisa alcançar seu nível mais elevado.

As restrições impostas pela legislação não existem para dificultar a administração nem para favorecer este ou aquele grupo político. Elas representam uma tentativa de assegurar que a disputa aconteça dentro de regras conhecidas por todos.

Daqui até outubro, o país viverá meses de intenso debate político. Haverá divergências, críticas, propostas e confrontos de ideias. Tudo isso faz parte da democracia. O que não pode fazer parte dela é o uso indevido da estrutura pública ou a desinformação como instrumento de convencimento.

O calendário eleitoral já começou. Agora, mais do que nunca, será tempo de observar, ouvir, questionar e escolher com consciência. Porque, no fim das contas, uma eleição não se decide apenas nas urnas. Ela começa muito antes, na forma como candidatos, instituições e eleitores se comportam ao longo do caminho.

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