Racha na base do PMDB na Câmara pode aumentar

Flávio Flora
A Tribuna Livre da Câmara foi ocupada ontem pelo ativista ambiental Manoel Cristiano dos Santos, que foi solicitar a intermediação da Comissão de Saúde, Meio Ambiente e Ciência para que possa mostrar ao prefeito os seus projetos de empreendimentos auto- sustentáveis que podem gerar até cinco mil empregos na cidade.
Na sua exposição, ele citou como exemplos o aproveitamento do lixo urbano, dos restos de construção e do óleo de cozinha.
— Nada vai ser feito neste município por nossos filhos e netos, se a gente não acordar agora para a auto-sustentabilidade das empresas — alertou o tribuno.
Exemplos de sustentabilidade
Na visão do ambientalista Manoel Cristiano, o lixo que deve ser destinado ao aterro sanitário regional previsto para o distrito de Marilândia (no município de Itapecerica) vai gerar custos para Divinópolis que poderiam ser melhor aproveitado, gerando energia elétrica e empregos na cidade, pois o lixo pode ser combustível.
Outro exemplo de empreendimento auto- sustentável é a utilização dos restos da construção civil para pavimentar as estradas vicinais, depois moídos e tratados com impermeabilizantes. Segundo Marcos Cristiano, esse processo economizaria a metade do preço gasto com asfalto.
Ainda na sua fala, o tribuno lembrou-se de uma lei aprovada em 2011, que trata do aproveitamento de óleo de cozinha usado para a produção do combustível biodiesel, citando como exemplo a experiência de Itaúna.
Rachadura na base
Ao encerramento, Marcos Cristiano disse que poderia procurar diretamente as secretarias municipais em longa espera, mas via nos vereadores o caminho mais oportuno e direto e que por isso pedia a atenção da Comissão presidida pelo vereador Delano.
Vários vereadores manifestaram-se favoráveis às propostas do tribuno, mas, ao mesmo tempo, sem que fosse a intenção, revelaram uma rachadura na base política do prefeito na Câmara – fato que a bancada do PMDB não está mais escondendo.
O vereador Delano Pacheco, líder do PMDB na Casa, disse que a comissão que preside é “só enfeite”, por ora, porque “vai começar a desenfeitar” em breve, referindo-se ao secretário municipal de Saúde Rogério Barbieri. Afirmou o vereador, que vai ser muito exigente nas avaliações de projetos do Executivo relacionados à saúde, e quer tudo “muito explicadinho, direcionadinho” sobre aplicação dos recursos orçamentários.
— Por enquanto, está uma festa. As nossas comissões mal mal são recebidas no Executivo ou nas secretarias (...) A gente chega lá e ganha um chá de cadeira para ver se a paciência aguenta (...) Aí, a paciência aguentando a gente é recebida por algum secretário, que dá aquela informação e pronto — desabafou Delano, prometendo retaliar se continuar assim.
Vereador desvalorizado
Disse ainda o vereador Delano que vai tratar os secretários como estão tratando os vereadores: “a gente não tem valor, enquanto comissão legislativa”. Na visão de Delano, agindo assim, o Executivo está querendo promover a oposição ao seu governo dentro da Câmara.
É como se o prefeito dissesse: “Vocês da base estão muito bobos!”, imita, ressaltando que ainda não é oposição, mas que seu posicionamento é pessoal e independente, “mas aguardem as cenas dos próximos capítulos”.
Vergonha na cara
O vereador Cleitinho Azevedo (PPS), secretário da Comissão de Direitos Humanos, manifestou concordância com seu colega, afirmando que “vereador é a ponte entre o cidadão e o prefeito”, mas, que, desse jeito, não pode fazer nada.
— Vamos parar de brincar com a saúde do povo de Divinópolis. Saúde vem em primeiro lugar. Vamos tomar vergonha na cara. Tira um pouco de cabide de emprego e contrata profissionais capacitados para atuar nos postos de saúde — ataca Cleitinho.
O vereador Roger Viegas também reclamou do secretariado, especificamente, do secretário de Meio Ambiente Cleber Greco (Bezito) por não dar explicações de suas decisões, relacionadas à casa de shows La República, que ainda está impedida reabrir, mesmo com a reforma realizada, e não recebeu nenhuma explicação sobre os motivos.
— É preciso de dar uma explicação, com mais respeito e, principal mente, de mais humildade aos empresários. Omitir explicações a um vereador é ridículo — desabafou Viegas, informando que o secretário não quis recebe-lo, inventando compromissos de última hora.
Novo horário é impróprio
O vereador Eduardo Print Junior (SDD) criticou o novo horário da Prefeitura por dificultar a atuação do vereador que pretenda ser atendido pelos órgãos do Executivo, especialmente as secretarias.
Reclamou que somente nas segundas, quartas e sextas podem fazer esse contato necessário para o exercício das funções da vereança. Nos demais dias, os vereadores devem estar nas reuniões da Câmara e ficam prejudicados pelo reduzido tempo disponível para atendimentos.
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