Mudança do camelódromo de Divinópolis segue indefinida

Flávio Flora
Está em estudos a mudança de localização do Centro de Comércio Popular (CCP), instalado sob o pavilhão provisório montado na Praça Geraldo Corrêa (no quarteirão da rua São Paulo c/ avenida 1º de Junho). A informação foi dada pela vice-presidente da Associação dos Camelôs, Fátima Eliane Fernandes Adis, que está procurando unir os proprietários de boxes em consenso sobre qual a melhor alternativa a adotar.
Existem três opções postas pela prefeitura, na gestão anterior, tendo em vista a pressão que o Ministério Público faz pela desocupação da praça, indevidamente utilizada, desde 2008, por ser um logradouro público. Uma das propostas, já desqualificada pelos camelôs, seria reinstalá-los próximo ao Mercado Distrital, ao final da rua Pitangui, considerado muito distante do Centro.
Camelôs organizados
Outra alternativa seria em terreno ao lado do Centro de Reabilitação e Reintegração de Divinópolis (Crer) – local do desativado Restaurante Popular – no início da rua São Paulo. Uma terceira opção (ainda não conhecida dos camelôs) esteve sendo aventada pela prefeitura, também na gestão anterior, mas não foi divulgada.
Caso nenhuma das possibilidades abertas pela municipalidade seja aceita, Fátima Eliane disse que os camelos vão ter de conviver com a precariedade atual, com a lona de cobertura apresentando furos, local sem sanitários e água potável, sem apoio da segurança (inclusive contra incêndio), reduzido espaço entre as fileiras internas de boxes e consciente de que está ocupando espaço público.
A vice-presidente informou que agora estão mais organizados como entidade – as reuniões são registradas em atas– e que os efeitos já podem ser sentidos no recuo de mercadorias expostas na margem da avenida, na diminuição dos “toureiros” – que agitavam junto ao pórtico da avenida 1º de Junho, assediando os transeuntes e fazendo algazarras – e na suspensão de venda de óculos de sol e de graus, em concorrência desigual com as duas óticas que se localizam nas imediações. Os camelôs já foram notificados de que haverá fiscalização rigorosa para coibir a venda desses objetos, proibidos por lei.
Local é abafado
Segundo Fátima ainda, o prefeito Galileu teria dito que o CCP, pelo menos em sua gestão, não sairia da praça se os camelôs não quisessem, mas que nenhuma melhoria poderia fazer, além de pagar a energia elétrica, pois a ocupação é em caráter precário, irregular, e a instalação de bebedouros e sanitários estaria fora de cogitação, assim como nova cobertura.
— A única coisa que ele poderia fazer pela gente seria não incomodar, por ser uma questão social e humanitária — contou a vice-presidente, que citoutambém o vice-prefeito Rinaldo Valério (PV), que conversou com representantes da associação.
Rinaldo teria ouvido com atenção e comentado que, para se mudar para o terreno ao lado do Crer, como uma opção mais plausível, algumas mudanças estruturais teriam de acontecer, como a redução de boxes e aumento do tamanho das barracas.
Boxes alugados
A reportagem do Agora apurou que, atualmente, existem no local 74 boxers ocupados, cerca de 28 dos quais estão alugados (em média por R$ 500) e um teria sido vendido por cerca de R$ 18 mil. Os camelôs não pagam energia elétrica e nem fazem limpeza sob os boxes, propiciando acumulo de objetos, lixo, ratos e outros insetos.
Para um dos fundadores da Associação dos Camelôs, Divino Genésio, as “barracas” foram oferecidas aos camelôs dentro da proposta de retirá-los das ruas do Centro, considerando que todos sobreviviam daquele comércio familiar; mas, vender ou alugar significa que o uso desvirtuou e mostra que essas pessoas não precisam.
— Está ocorrendo uma irregularidade de dispor de bem de uso público como se tivesse posse, além de desrespeitar o estatuto da organização, que proíbe esse tipo de coisa — destacou Divino, 30 anos na profissão.
A reportagem tentou conseguir mais informações sobre a situação do camelódromo, limpeza, o custo da energia elétrica consumida no pavilhão, a localização do guichê do transporte coletivo, que contribui para a poluição visual do local, entre outros aspectos, junto ao secretário de Governo Ricardo Moreira, e obteve a informação de que a situação do CCP está sendo analisada e que ainda não há nenhuma definição sobre outros possíveis locais.
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