Sequestro de um presidente e roubo de um país: violência total do capitalismo

CREPÚSCULO DA LEI, ANO VIII/CCCXIV.
Domingos Sávio Calixto
(O presente texto é direcionado aos adeptos da reflexão. Ele não se ajusta aos adoradores de pneus e destruidores de sandálias, ou àqueles que habitam o “mundo cão” da terra plana. Em relação a tais pessoas, aconselha-se a renúncia da leitura.)
Derrotado vergonhosamente pela China, o capitalismo decadente da gangue de Washington optou, mais uma vez, por sua forma integral da violência imperial contemporânea — material, política, jurídica e simbólica – produzindo mais um ato de terrorismo contra a humanidade, no mesmo “modus” sionista que patrocina contra a Palestina. O sequestro de Nicolás Maduro e sua esposa (?) fez manejar sua notória ilegalidade conglobante, aquela que lhe identifica como máxima expressão coerente da dominação capitalista em sua fase decadente.
A gangue de Washington, desmoralizada na história recente, se move pela práxis sitiante do desespero. Quando tal governo perdeu sua serialização imperial da economia mundial, converteu-se em inimigo objetivo generalizante. Assim, seu “presidente” deixou de ser líder, sujeito político, e passou a agir como assaltante, como pirata, como sequestrador, um covarde a procura de corpos capturáveis, matáveis para fins lucrativos.
A gangue de Washington vem claudicando decadentemente seguidas vezes neste século - revelando cada vez mais sua violência despudorada, hipócrita e cínica – e o recente terrorismo contra a Venezuela fez de refém TODO o direito planetário: é um direito ilegítimo, que não limita o capital, apenas o acompanha enquanto lucrativo.
Sob esse aspecto, a gangue de Washington desconhece qualquer mediação jurídica por considera-la absolutamente ineficaz e desnecessária. Ela é descartada sem constrangimento, ao escambo do roubo e do latrocínio. Um sequestro presidencial é apenas mais um momento em que essa forma jurídica se revela grande farsa descartável, facilmente cedendo lugar à violência direta.
O capitalismo americano, decadente, é pura violência sionista, é violência colonial em sua essência. Neste sentido, Estados, sobretudo periféricos, nunca são reconhecidos como plenamente soberanos. Seus líderes são permanentemente sequestráveis, destituíveis ou elimináveis. No cenário das práticas sionistas opera a violência simbólica: a produção discursiva que transforma a agressão imperial em “defesa da democracia”, o roubo em “sanção legítima”, a pilhagem do petróleo em “ordem internacional”.
Essa violência simbólica do capitalismo decadente naturaliza a violência material pela produção hollywoodiana do consentimento, da desmobilização e do silêncio. O sequestro físico só é possível porque o sequestro simbólico da linguagem já foi consumado. O roubo do petróleo venezuelano é o objetivo real. O sequestro do presidente é o ato inaugural da expropriação. Captura-se o corpo político para capturar a riqueza material.
Além do mais, o imperialismo derrotado não reconhece presidentes. Reconhece lacaios, gestores dóceis do capital global, traidores internos, puxa-sacos miseráveis e cretinos. Quando deixam de sê-lo, tornam-se juridicamente descartáveis e politicamente sequestráveis.
Não se trata de exceção. Trata-se de método. Não se trata de ilegalidade. Trata-se de estrutura. O sequestro de um presidente é a confissão aberta do imperialismo: violência total, sem máscara, legitimada pelo próprio direito que a encobre. Descoberto o inimigo, resta combatê-lo,antes que seja tarde.
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