Vereadores se solidarizam com direitos trabalhistas dos servidores

Flávio Flora
O médico Alberto Gigante Quadros, porta-voz do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis (Sintram), com a presença de membros da diretoria e dezenas trabalhadores, ocupou a Tribuna Livre da Câmara para transmitir a insatisfação com a decisão do prefeito municipal Galileu Machado (PMDB) de não conceder os reajustes salariais conquistados em 2016 e assegurados em lei.
O Sintram nos últimos três meses, segundo Gigante, procurou setores da prefeitura para um diálogo permanente com a intenção de apresentar a ajuda dos sindicalistas à nova administração, tendo em vista os inúmeros problemas que Divinópolis tem pela frente, nos próximos quatro anos.
Proposta de diálogo foi recusada
Para tal aproximação, o sindicato apenas solicitou que tudo fosse feito com respaldo legal, de forma transparente e “que o esforço da maioria não se transformasse em regalia de uma minoria”. Mas não foi o que aconteceu, segundo o tribuno, pois o prefeito recusou a ajuda do sindicato e desrespeitou a lei que estabeleceu o gatilho salarial em 2008 e a que reestruturou a formula de reajuste em 2015.
— De uma forma unilateral, sem discussão, que nos pudesse convencer de tal necessidade, o prefeito quebrou no início de sua administração o encanto que talvez tivesse. O prefeito disse que assim agiu porque não tem dinheiro, mas nos parece que falta verdade ou zelo nessa questão. Porque nenhum de nós pode imaginar que alguém que não tenha dinheiro contrate 212 cargos em comissão, sendo que 61% deles são de pessoas estranhas ao serviço público, que a prefeitura vai ter que arcar com as despesas — analisa o porta-voz do Sintram.
Pelos cálculos da entidade, esses novos trabalhadores comissionados causarão um gasto de “cerca de R$ 7 milhões, que é o que a prefeitura precisava para fazer a reposição aos servidores”.
Promessas de campanha
Gigante lembrou aos vereadores e ao público algumas promessas de campanha do prefeito Galileu, como a avaliação de que algumas secretarias deveriam ser extintas porquenão eram operacionais e nem tinham verbas orçamentárias suficientes.
— Não vimos, até agora, o prefeito fechar nenhuma das secretarias que ele julgou ser cabide de emprego; e sabemos que todas estão com todos os cargos completos — protestou o representante do Sintram, destacando que o prefeito se recusou a dar a reposição salarial sob a justificativa de que a lei salarial não foi ele quem fez.
Vereadores apoiam reposição legal
Após o pronunciamento de Gigante Quadros, quase todos os vereadores se manifestaram em favor do cumprimento dos direitos adquiridos por lei, alegando que o prefeito não pode se recusar e nem a Câmara permitir que a legislação feita pela casa seja descumprida.
Para o presidente da Câmara, Adair Otaviano (PMDB), uma nova mesa de negociação não pode ser descartada. O vereador Sargento Elton insistiu numa auditoria independente sobre o estado de calamidade financeira, e o vereador Edson Sousa (PMDB), líder do prefeito, não se pronunciou sobre o tribuno.
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