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Editorial

Vidas presas à politicagem

Vidas presas à politicagem

O Hospital Regional de Divinópolis está prestes a se tornar, mais uma vez, uma grande vítima da lentidão e das disputas políticas que parecem se sobrepor às necessidades da população. Com obras retomadas em 2023 e previsão de conclusão ainda este ano, a unidade, que funcionará como hospital universitário em parceria com a UFSJ e a Ebserh, está praticamente pronta, mas ainda não pode receber pacientes. Os motivos são vários, e quando parece que finalmente sairá do papel, surgem novos obstáculos. O mais recente é a federalização: embora formalmente acordada, a transferência da gestão para a esfera federal continua emperrada, e o projeto ainda não foi enviado à Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

A deputada Lohanna (PV) foi categórica ao afirmar que o impasse “tem cheiro de politicagem”. E realmente: manter um hospital praticamente pronto, com estrutura completa para atender média e alta complexidade, sem que a população tenha acesso aos serviços, é um desserviço público sem precedentes. O hospital contará com blocos cirúrgicos, maternidade, ambulatórios, diagnósticos avançados e uma ampla gama de especialidades médicas, beneficiando dezenas de municípios da macrorregião. Apesar disso, o povo continua sem atendimento.

O que preocupa ainda mais é a motivação por trás do atraso. O governador Romeu Zema (Novo), que já oficializou pré-candidatura à Presidência em 2026, tem motivos políticos claros para segurar o envio do projeto. Mas até que ponto as decisões sobre a saúde de milhares de pessoas estão sendo tomadas com base no interesse eleitoral? A resposta parece evidente: quem perde é a população, que sofre com a espera por serviços de saúde que deveriam estar disponíveis há anos.

E como se não bastasse, a situação só piora. O terreno do hospital foi cotado como garantia para o pagamento de dívidas do Estado com a União. Segundo o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), enquanto a questão depender da Assembleia, essa proposta de Zema não avançará. Imaginemos o que isso significa: um hospital que já demorou quase uma década para ser construído agora corre risco de ter sua operação ainda mais atrasada por disputas financeiras e políticas. Mais uma vez, quem paga a conta é o cidadão que precisa de atendimento urgente.

O hospital universitário não é apenas uma questão de modernidade ou prestígio acadêmico: é um centro de saúde essencial para a macrorregião, oferecendo tratamentos, diagnósticos avançados e suporte médico para dezenas de municípios. Cada dia de atraso representa pacientes sem atendimento, famílias angustiadas e complicações que poderiam ser evitadas com o funcionamento imediato da unidade.

Não há desculpas técnicas que justifiquem esse entrave. Mesmo assim, a população continua à espera, refém de interesses que parecem colocar a política acima da vida. É hora de cobrar responsabilidade. 

O Hospital Regional de Divinópolis não pode continuar sendo moeda de troca política, promessa para eleição ou garantia de dívida. Quem sofre é o povo que depende diariamente de atendimento de saúde de qualidade. É inadmissível que a população seja penalizada enquanto negociações, disputas eleitorais e burocracias se arrastam. A prioridade deve ser clara: saúde pública funcionando, vidas sendo salvas, atendimento disponível. A politicagem não pode mais ser desculpa para negligência.

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