‘Aos amigos do rei’

Os servidores públicos estaduais de Minas Gerais tiveram que engolir, de forma bem amarga, o anúncio de que o tão suado e lutado reajuste salarial (o retroativo) será parcelado de agosto até dezembro. No pagamento do quinto dia útil de julho, apenas os 4,62%. Talvez o comunicado não seja tão assim de surpreender, afinal, é como diz aquele ditado: aos amigos do rei tudo… É impossível estar de frente a este cenário e não relembrar de quando o governador do Estado, Romeu Zema (Novo) concedeu um aumento de 300% para ele mesmo e o alto escalão do Executivo Estadual. O que chama mais atenção é ver que o mesmo governo que faz o discurso de valorização do funcionalismo público, e tenta maquiar a todo custo os diversos problemas que Minas Gerais enfrenta, é o mesmo que sequer disfarça o desprezo que tem por quem mantém este Estado de pé, funcionando do jeito que dá, com o que é disponibilizado por quem enche os bolsos todos os meses com um gordo e belo salário. E, se o anúncio foi amargo, a reação dos servidores foi na mesma proporção. Questionamentos não faltaram, e mais uma vez, tudo caminha para que o povo pague uma conta que não é sua.
Sindicatos de várias categorias já sinalizam protestos e greves. A revolta é legítima. E, neste caso, não tem como defender um governo que além de conceder um aumento tão grande para o alto escalão, mas quando chegou a vez de quem está lá na ponta, servindo o povo, trabalhando do jeito que dá, com o que tem, concede apenas 4,62%, e depois de muita briga, parcelando os meses anteriores. Por mais que a população tente comprar o discurso de que “servidor não trabalha”, dessa vez não vai ter como. A verdade é que enquanto o alto escalão do Executivo estadual se esbanja com seus altos salários, e em suas salas com ar condicionado, quem faz Minas Gerais “acontecer” precisa lutar para ter o mínimo, para ter a reposição da inflação. Injusto. Cruel. Não é possível ainda elencar o que é pior. Se humilhar para ter o básico, o que é garantido por lei a todos os trabalhadores – que é a recomposição da inflação – ou se é ainda ver parte da população comprando o discurso que “Minas está nos trilhos”.
A verdade escancarada é que ainda falta muito para o Estado entrar nesses trilhos que tanto falam. E, definitivamente não tem como defender um governo que dá “aos amigos do rei tudo…” e a quem trabalha de verdade, nada! Neste momento, a única saída para os mineiros é se preparar, pois ao que tudo indica, esse “amargo” enfiado “goela abaixo” no funcionalismo público vai sobrar para muita gente. A promessa é de que os protestos e as paralisações venham por aí. E, mais uma vez, a população terá diante dos olhos o que é sempre abordado por aqui: vídeo não melhora realidade, e não traz mudanças. Vídeo é só vídeo. A realidade precisa de mais para ser mudada e melhorada. É preciso compromisso. É preciso ação. Palavras bonitas, discursos apaixonados, se vão com o vento… e o que resta é o caos, e uma crise para ser gerenciada. De nada adianta dar tudo “aos amigos do rei”, quando quem faz o dia a dia acontecer recebe migalhas. O tempo é de observação e reflexão.
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