Quer queira

A prova de que os eleitores terão um trabalho árduo neste ano na escolha de seus representantes, e que o amadorismo vai reinar no Poder Legislativo por mais quatro anos, se o povo não tomar cuidado, veio. Nem demorou muito. A galope. A população divinopolitana assistiu no final da tarde desta segunda-feira, 1º, uma cena lamentável envolvendo um pré-candidato a vereador, e um funcionário terceirizado da Câmara. Longe de fazer juízo de valor, ou de determinar quem estava certo ou errado na situação, mas o fato é que a situação merece sim um olhar mais apurado, mais crítico do eleitorado de Divinópolis. É triste, mas a realidade é que cenas como essas se tornarão corriqueiras. As eleições deste ano estão caminhando para virar caso de polícia. E, tudo isso reforça apenas o que o Agora tem trazido neste espaço. A responsabilidade dos eleitores este ano será redobrada. Não será possível ir apenas pelo discurso mais bonito, mais inflamado, regado de “valores vazios”, e muito menos pela velha troca de favores, que infelizmente ainda existem. Afinal, a eleição passa, os representantes ficam, e a conta também. Pois é à partir do dia 1º de janeiro que se faz valer aquele ditado “o filho chora e a mãe não vê”.
Quer queira, quer não, mas o eleitorado precisa entender de uma vez por todas que política não se faz de vídeos, muito menos de ideologias. Política não é feita de redes sociais, de modinhas, de dancinhas. As modinhas acabam e a UPA segue cheia. As dancinhas se vão as ruas continuam sem infraestrutura. A tela do celular se fecha e o posto de saúde continua sem médico. É preciso conseguir fazer mais do que disseminar informação falsa, causar pânico no povo com fake news, atacar a oposição, e ligar a câmera do celular. Quer o povo queira, quer não, é preciso minimamente ter noção de que ao entrar no Poder Legislativo, a realidade pede mais do que o mundo ilusório da internet oferece todos os dias. O cenário atual preocupa, e mostra, escancara, que já não é mais possível levar uma eleição como antigamente. É preciso urgente que o eleitorado mude a sua postura também. Quer o povo queira, quer não, já dá sim para analisar as posturas dos pré-candidatos, e visualizar quem tem um pouco sequer de capacidade de representar uma cidade no parlamento, e não os próprios interesses.
A cena registrada na tarde desta segunda-feira, se junta a tantas outras lamentáveis, em que pré-candidatos têm que registrar Boletins de Ocorrência por ataques virtuais. O que era virtual passou para as vias de fato, e traz a certeza que essas eleições não poderão ser “levadas” de qualquer jeito. O povo terá sim uma parcela de responsabilidade, e grande, no futuro de Divinópolis. Tanto faz, se para o Poder Legislativo, quanto para o Executivo. O momento exige um olhar mais crítico, mais apurado dos eleitores. Afinal, quer o eleito queira, quer não, ainda existem leis, Constituição Federal, Regimento Interno e outras normas que regulamentam os mandatos. Além disso, é bom o povo estar atento, pois Bíblia e opinião não fazem políticas públicas.
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
